O mercado de vestuário de segunda mão (second hand) vem registrando expansão global e transformando hábitos de consumo no setor de moda. Impulsionado pela busca por itens exclusivos, apelo sustentável e preços mais acessíveis, o segmento atingiu movimentação de US$ 257 bilhões após crescer 13%, passando a responder por cerca de 10% do total de gastos com vestuário.
Projeções do relatório ThredUp Resale Report indicam que o setor deve alcançar US$ 393 bilhões até 2030, mantendo ritmo de crescimento duas vezes superior ao do varejo tradicional de moda.
Comportamento do consumidor e gargalos de mercado
Embora o avanço seja impulsionado pela procura por itens específicos, como jaquetas de couro, alfaiataria das décadas de 1980 e 1990, e acessórios vintage, o segmento ainda enfrenta barreiras culturais no Brasil.
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada pela Nexus com 2.019 entrevistados, aponta divergências entre percepção e hábito de compra:
Sustentabilidade em alta: 72% dos brasileiros avaliam positivamente empresas que investem em práticas sustentáveis.
Resistência de consumo: 43% resistem à compra de produtos reciclados. Entre os principais motivos apontados estão a preferência por itens novos (34%) e dúvidas quanto à durabilidade (30%).
Estruturação de rede e estratégias no franchising
Para superar restrições de confiança e padronizar a operação, redes especializadas têm investido em formato de loja, curadoria rigorosa e ferramentas de mensuração de impacto.
No Peça Rara Brechó, rede de franquias com unidades que variam de 80 a 1.000 metros quadrados, o modelo adota organização por categorias e tamanhos — abrangendo vestuário, itens infantis, móveis e decoração — para se aproximar do padrão do varejo tradicional.
A franqueadora implementou também a Calculadora Sustentável, ferramenta que estima o retorno financeiro de revenda e a redução de impacto ambiental. Segundo dados da empresa, o desapego de três camisetas, duas calças jeans e uma bermuda equivale a cerca de R$ 300 em valor de revenda, além de evitar o consumo de 26,1 mil litros de água e a emissão de 73 kg de CO₂ equivalente.
A estratégia da rede engloba ainda ações de curadoria internacional, como o projeto “Achados pelo Mundo”, que percorre centros como Paris, Nova York e Tóquio, além de campanhas com circulação de peças de acervos de personalidades e destinação de fundos para instituições sociais.






