Expansão com inteligência: por que o ponto comercial pode definir o desempenho de uma franquia

Com mais de 100 unidades e faturamento superior a R$ 100 milhões projetado para 2026, Sandaliaria aposta em análise de mercado, fluxo de consumidores e adaptação do mix para avançar também em cidades menores

Em um cenário em que redes de franquias buscam ampliar a presença geográfica mantendo a rentabilidade das unidades, a escolha do ponto comercial consolidou-se como um fator determinante para o desempenho operacional e o volume de vendas. Para marcas do setor de calçados e acessórios, como a Sandaliaria, a definição do endereço integra a estratégia do modelo de negócio e orienta a capilaridade da rede.

A marca projeta atingir a marca de mais de 100 unidades e faturamento superior a R$ 100 milhões em 2026. A estratégia de expansão adota análises de inteligência de mercado, mapeamento de perfil local e flexibilidade de formato, buscando ampliar a atuação sem comprometer a eficiência das lojas ativas.

Estratégia para mercados de diferentes portes

Além de capitais e centros urbanos com população superior a 500 mil habitantes, o plano de expansão contempla municípios menores que apresentem comércio centralizado, fluxo constante de consumidores e menor presença de marcas consolidadas.

A adequação ao perfil local é viabilizada pelo modelo multimarcas:

  • Grandes centros e shopping centers: A operação foca em produtos de alta demanda, como Crocs e Havaianas, além do serviço de personalização imediata (#Blessed4you).
  • Cidades do interior: O mix de produtos é ampliado para suprir a oferta limitada de marcas que, nesses locais, costumam estar restritas ao comércio eletrônico ou a municípios vizinhos.

Segundo a empresa, polos comerciais no interior podem oferecer combinação favorável entre tráfego de pedestres, concentração de vendas e menor concorrência direta.

Custo de ocupação e mapeamento de fluxo

Para operações baseadas na compra por impulso, a escolha do imóvel prioriza o tráfego natural de pessoas. Em shopping centers, a preferência concentra-se em corredores principais, próximos a praças de alimentação e lojas-âncora. No comércio de rua, a avaliação inclui calçadões, polos regionais, proximidade de grandes varejistas e fatores estruturais, como insolação e largura de calçadas.

A aprovação do endereço passa por estudos técnicos da franqueadora sobre densidade demográfica, tráfego, concorrência e poder aquisitivo. A análise inclui o custo de ocupação (aluguel e condomínio), que precisa manter equilíbrio com a projeção de faturamento para evitar impacto negativo na viabilidade financeira da unidade. A decisão final sobre a escolha do ponto cabe ao franqueado.

Eficiência da rede instalada e modelo operacional

Para os próximos 12 a 24 meses, a estratégia contempla o fortalecimento das unidades em operação por meio de padronização, suporte técnico, digitalização e multiunidades operadas por franqueados existentes.

O modelo de negócio da marca apresenta características operacionais específicas:

  • Investimento inicial: Adaptação de obras e marcenaria com fornecedores locais, sob supervisão técnica da rede.
  • Cobrança de royalties: Modelo de valor fixo equivalente a um salário mínimo, em vez de percentual sobre o faturamento.
  • Portfólio e serviços: Comercialização de marcas como Havaianas, Crocs, Melissa, Kenner e Colcci, combinada ao sistema de personalização de calçados.

A combinação entre diversificação de produtos, análise criteriosa do ponto comercial e adaptação regional busca reduzir os efeitos da sazonalidade e garantir sustentabilidade à expansão do negócio.