Ele viu que o pequeno e médio produtor rural eram negligenciados e criou uma microfranquia do agro

Marcus Alonso trabalhou no exterior lavando pratos. Quando voltou ao Brasil, construiu carreira no franchising e criou a Aggro

Antes de fundar a franquia Aggro, hoje com mais de 50 unidades entre ativas e em implantação e que faturou R$ 800 mil em 2025, Marcus Alonso viveu uma realidade distante do agronegócio. Aos 19 anos, morou em Londres, onde começou trabalhando na cozinha de um restaurante, lavando pratos. Com o tempo, aprimorou o inglês e terminou a experiência como barman.

A vivência no exterior foi o primeiro capítulo de uma trajetória marcada por evolução e pela capacidade de identificar oportunidades onde poucos estavam olhando.

De volta ao Brasil, Marcus entrou no universo das franquias quase por acaso, ao trabalhar com consultorias e projetos de expansão. Nesse ambiente desenvolveu sua principal habilidade: transformar negócios em modelos escaláveis.

Aprendizado no agro

Ao longo dos anos, Marcus acumulou experiência ajudando redes a crescer. Mas foi em 2015, ao se tornar sócio de uma franquia do agronegócio, que teve um contato mais profundo com o mercado rural e percebeu uma oportunidade.

“Foi ali que eu entendi o tamanho da oportunidade. O pequeno e médio produtor tinham dificuldades de acesso a produtos, tecnologia e até atendimento de qualidade. Era um mercado muito pulverizado”, afirma.

Além disso, identificou outro gargalo importante: a dificuldade da indústria em distribuir seus produtos de forma eficiente em diferentes regiões do país. Esse diagnóstico seria decisivo para o próximo passo.

A virada: nasce a Aggro

A ideia de criar a Aggro surgiu a partir dessa combinação de experiências: o domínio do franchising e o entendimento das dores do agronegócio.

Fundada em 2020, na pandemia, a empresa nasceu com a proposta de organizar a distribuição de insumos e levar tecnologia ao pequeno e médio produtor rural.

No início, o modelo era simples e direto: franquias no formato “campo”, em que o franqueado atuava visitando produtores e vendendo soluções diretamente nas propriedades. Mas a evolução do negócio trouxe um novo capítulo.

Novo modelo de negócio

Com o tempo, Marcus percebeu um comportamento recorrente entre os franqueados: muitos ampliavam o portfólio por conta própria e criavam pequenos pontos de venda para atender melhor seus clientes.

A resposta veio na forma de um novo modelo: a loja física. “A loja foi uma evolução natural. Ela fortalece a marca, melhora a experiência do cliente e amplia o potencial de faturamento do franqueado”, explica.

Mais do que um ponto de venda tradicional, o modelo foi desenhado para ser flexível. Dependendo da região, a unidade pode atuar com maior foco em insumos agropecuários, produtos pet ou jardinagem, tornando-se uma loja multiproduto adaptada à realidade local.

Um ecossistema para o agro

Hoje, a Aggro vai além do conceito tradicional de franquia. “É um ecossistema que conecta indústria e produtor, aumentando eficiência, escala e margem em toda a cadeia”, destaca Marcus.

A empresa reúne fábrica própria, centro de distribuição, laboratório de pesquisa e uma rede de fornecedores homologados, criando uma estrutura integrada que facilita o acesso a soluções para o produtor.

Na prática, o portfólio inclui nutrição animal, fertilizantes, medicamentos, ferramentas e outras soluções que impactam a produtividade no campo.

Crescimento e próximos passos

Atualmente, a meta de expansão é alcançar 100 unidades até o fim de 2026 e faturar R$ 1,3 milhão. Para sustentar a expansão, a franquia oferece dois modelos de negócios: o Campo, com investimento inicial a partir de R$ 25 mil, e o modelo Loja, com uma estrutura mais robusta e investimento de R$ 136 mil.

No centro da estratégia está um propósito claro: reduzir a desigualdade de acesso à tecnologia e produtos para o campo.

“São formatos pensados para diferentes perfis de empreendedores, com suporte, estrutura e um modelo validado, seja para atuar diretamente no campo ou para quem busca uma operação mais estruturada no agro”, finaliza.