A busca por novos formatos de operação tem levado redes de franquias a repensarem o modelo tradicional de loja física e, no setor de alimentação, isso leva a soluções mais compactas, flexíveis, estratégicas e com investimento menor. É o caso da Mr. Black Café Gourmet, rede de cafeterias gourmet, que testa um modelo piloto de operação em container, pensado para ocupar espaços onde não há disponibilidade de lojas, mas existe fluxo intenso de pessoas.
A proposta é simples e alinhada ao comportamento do consumidor atual, que é levar café gourmet e alimentação rápida para locais de passagem, como rodoviárias, postos de combustível, estacionamentos, parques e pontos de espera por transporte, incluindo áreas com grande concentração de motoristas de aplicativo.
Segundo Cristian Figueiredo, CEO da Mr. Black Café Gourmet, com investimento reduzido e operação simplificada, o modelo surge como uma alternativa de expansão para a marca e, principalmente, como uma nova porta de entrada para empreendedores interessados no segmento.
Do ponto de espera ao ponto de venda
O insight para o novo formato veio da prática. Em Belo Horizonte (MG), cidade berço da marca, o franqueado Lucas Patrus identificou uma oportunidade pouco explorada dentro da rodoviária da cidade, na qual o espaço destinado à espera de embarque e também áreas onde passageiros e motoristas permanecem por 20 a 30 minutos aguardando transporte.
“Percebemos que havia um tempo ocioso relevante. As pessoas ficam esperando e, muitas vezes, querem consumir algo rápido. A ideia do container veio justamente para atender esse público com agilidade, sem exigir uma estrutura tradicional”, explica.
A operação foi desenhada com um mix reduzido, priorizando itens de preparo rápido e consumo prático como por exemplo, Pães de Queijo, salgados, Café Coado e Bebidas prontas ideal tanto para passageiros quanto para motoristas que não podem se ausentar por muito tempo.
Investimento menor e operação enxuta
Um dos principais atrativos do modelo está no custo inicial mais acessível. Segundo Lucas, o investimento necessário para o container na unidade piloto foi cerca de metade do valor de uma loja convencional.
“Se considerarmos um investimento médio de R$ 250 mil em uma unidade de rua, o container ficou em torno de 50% disso. Além disso, há menos necessidade de obras e maior agilidade na implantação”, afirma.
Atualmente, o franqueado opera três unidades da marca dentro da rodoviária de Belo Horizonte, sendo duas lojas tradicionais – uma no embarque e outra no desembarque – e o container, que funciona há cerca de 6 meses como uma extensão estratégica da operação.
Modelo piloto e aprendizado em tempo real
Por se tratar de um formato inédito dentro da rede, a unidade funciona como um laboratório de inovação. A franqueadora apoiou o projeto desde a concepção, mas parte das soluções precisou ser construída ao longo do processo.
“O suporte da franqueadora foi fundamental, inclusive na indicação de fornecedores. Mas, como todo projeto novo, enfrentamos desafios e tivemos que adaptar algumas questões na prática”, conta o franqueado.
A aceitação do público tem sido considerada positiva, especialmente pelo volume de circulação no local. Ainda assim, o desempenho varia conforme o perfil do ponto, um fator que, segundo Lucas, é determinante para o sucesso do modelo.
Localização é o fator-chave
Diferentemente de uma cafeteria tradicional, o container não oferece espaço de permanência, o que exige uma escolha ainda mais criteriosa do ponto comercial. “O sucesso depende diretamente do fluxo. É um modelo pensado para conveniência e consumo rápido. Não é indicado para qualquer localização”, ressalta o franqueado.
A experiência dentro da rodoviária também trouxe uma vantagem estratégica: a proximidade com outras unidades da marca, o que facilita logística, abastecimento e gestão operacional.
Oportunidade para empreender
Para a Mr. Black Café Gourmet, o modelo representa uma nova frente de expansão, alinhada a tendências como mobilidade urbana e ocupação inteligente de espaços. A possibilidade de operar em locais sem infraestrutura comercial tradicional amplia significativamente o leque de oportunidades, especialmente em grandes centros urbanos e pontos de alto fluxo ainda pouco explorados pelo varejo.
“Embora ainda em fase piloto, o formato já sinaliza potencial para se tornar uma alternativa relevante dentro do portfólio da rede, tanto para franqueados atuais quanto para novos investidores em busca de negócios mais flexíveis e acessíveis”, avalia o CEO.
Conveniente, escalável e adaptável
Ao transformar espaços de espera em pontos de consumo, o modelo de container reforça uma mudança importante no varejo que não é mais o cliente que vai até a loja, e sim é a loja que vai até o cliente.
“E, nesse movimento, o café gourmet deixa de ser apenas uma experiência de permanência para se tornar também uma solução rápida, prática e adaptada à rotina acelerada das cidades”, finaliza Cristian Figueiredo.






