A história da Mr. Black Café Gourmet começa muito antes do café especial se tornar tendência no Brasil. Ela nasceu em 2006, em Belo Horizonte (MG), quando Cristian Figueiredo, então com apenas 20 anos e estudante de Ciência da Computação, decidiu mudar completamente o rumo da própria carreira para empreender ao lado do pai.
“A ideia veio do meu pai, que buscava um negócio mais tranquilo, onde o cliente fosse até o ponto de venda, diferente do seu antigo trabalho. Ele sempre foi frequentador assíduo de cafeterias e apaixonado por café, mesmo sem nunca ter atuado no setor de alimentação. Foi quando apareceu uma oportunidade de negócio, um ponto no shopping Cidade, e ele abraçou esse novo negócio”, conta Cristian, de 41 anos, hoje CEO e um dos fundadores da franquia Mr. Black Café Gourmet, que largou a carreira em TI por falta de identificação com a área.
A primeira cafeteria foi inaugurada em julho de 2006, em um shopping da capital mineira, com investimento em torno de R$ 200 mil. À época, cafeterias ainda eram um formato pouco difundido no país, eram conhecidas na forma de lanchonetes mais estruturadas. “Não tínhamos experiência alguma com alimentação. Foi um período intenso de aprendizado, erros e muitos acertos. Viajei, estudei, pesquisei na internet e fomos moldando o negócio conforme entendíamos o comportamento do consumidor”, relembra. Para isso, também foi necessário contratar uma consultoria de um grande empresário do ramo de buffet e comércio em Belo Horizonte para ajudar no desenvolvimento inicial do negócio.
Cristian conta que para entender como funcionava a empresa foi necessário aprender todos os setores operacionais, como atendimento ao cliente, fazer café, atender mesas, desenvolver produtos e começar a pensar em como melhorar aquele negócio a cada dia.
Do aprendizado na operação à construção de uma marca
Nos primeiros anos, o negócio funcionava com produtos de fornecedores locais e cafés de marcas conhecidas, mas sem diferenciação. O foco inicial era entender o que o público esperava de uma cafeteria: ambiente, cardápio, atendimento e experiência.
Esse processo de amadurecimento levou a um passo decisivo em 2008, com a abertura de uma segunda unidade no Minas Shopping. Foi nesse momento que nasceu oficialmente a marca Mr. Black Café Gourmet, unificando as lojas sob um novo nome e um conceito mais bem definido.
“Mineiro é desconfiado. Muitas marcas de fora chegam e não se sustentam. Curiosamente, até hoje muita gente acha que a Mr. Black não é mineira, mas se identifica tanto com o nosso padrão de qualidade que isso acabou impulsionando o desejo de expansão por meio de franquias, algo que desconhecíamos totalmente de como funcionava”, afirma Figueiredo.
Desde 2008, a marca trabalha exclusivamente com cafés especiais, um posicionamento que só se tornaria popular anos depois entre grandes redes.
A vinda para o franchising
Inicialmente, o plano era crescer apenas com lojas próprias. Mas com o negócio já maduro e estruturado, em 2012 a empresa buscou uma consultoria especializada para entender o universo do franchising. No fim de 2013, a Mr. Black Café Gourmet tornou-se oficialmente uma franquia, com três unidades próprias, e em 2014 inaugurou sua primeira loja franqueada em um shopping, também em solo mineiro.
“Nascemos como um pequeno negócio familiar, sem grandes pretensões de expansão. Mas fomos aprendendo, gostando cada vez mais do segmento e percebendo que cafeteria é um negócio extremamente prazeroso para quem gosta de lidar com pessoas”, destaca Cristian.
Ser franqueador é virar líder de líderes
Para o empresário, a maior virada de chave ao se tornar franqueador não foi operacional, foi humana.
“O maior desafio é virar líder de líderes. O franqueado também é dono. Ele tem ideias, experiências, culturas diferentes. Você precisa ouvir, absorver, filtrar e entender o que faz sentido para a marca como um todo. É um exercício diário de liderança, empatia e visão estratégica”, explica.
Segundo Cristian, o papel do franqueador é cuidar da marca e, principalmente, das pessoas que a operam. “Como dono da marca, cuidamos de todo mundo.”
Posicionamento premium com identidade mineira
Desde o início, a Mr. Black se posiciona como uma cafeteria premium, focada em experiência e qualidade, e não em preço. O público vai das classes A, B e C, mas o objetivo é comum: oferecer um ambiente aconchegante, produtos de alto padrão e uma pausa prazerosa no dia.
A identidade mineira é um dos pilares da marca. Desde 2017, toda a produção de doces e salgados é própria, feita em Belo Horizonte. Os cafés vêm exclusivamente de fazendas de Minas Gerais, das regiões do Cerrado Mineiro, com perfil mais achocolatado, ideal para espresso; Matas de Minas, com cafés mais frutados, preparados em métodos como V60; Mantiqueira de Minas, que oferece cafés mais cítricos e suaves, além de ter a torra realizada em microtorrefação na capital.
“Temos o melhor pão de queijo do mundo, além de Belo Horizonte ser reconhecida pela Unesco como cidade criativa da gastronomia, e isso tudo está refletido no nosso produto”, afirma o executivo.
Outro ponto importante é que cada loja tem um projeto arquitetônico pensado para o público e a localização, mantendo um padrão visual, mas adaptado ao comportamento do consumidor local.
Modelo de negócio simples, escalável e eficiente
Um dos diferenciais da franquia é a logística descomplicada, pensada para facilitar a operação do franqueado. Todos os produtos saem congelados da cozinha central em BH e são enviados para as unidades em carga refrigerada.
“O franqueado praticamente não cozinha. Ele descongela, finaliza e vende. Tudo já chega porcionado. Apenas os cafés são preparados na hora, com opção de mais de 80 receitas, na qual qualquer pessoa é capaz de manipular e colocar à venda de forma descomplicada”, explica Cristian.
Além disso, a rede permite adaptações regionais no cardápio, como tapioca, bolo de rolo, coxinha de camarão no Nordeste, entre outras opções, garantindo aderência local e flexibilidade operacional.
Números da rede e estratégia
Atualmente, a Mr. Black Café Gourmet conta com 50 unidades, sendo metade em Minas Gerais, além de operações em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Goiás. Cristian revela que duas lojas próprias localizadas em shoppings de Belo Horizonte são as de maior faturamento da rede, devido a performance do negócio local.
Somente em 2025 a rede faturou R$ 33 milhões e projeta encerrar este ano com faturamento de R$ 42 milhões, e 50 unidades vendidas. Atualmente, cerca de 1.5 tonelada de quilo de café são comercializados pela franquia por mês.
A estratégia de expansão prioriza cidades com mais de 200 mil habitantes e pelo menos um shopping center, tendo atualmente foco no eixo Rio-São Paulo, favorecendo a eficiência logística.
A marca oferece três modelos de negócio: quiosques em shopping, lojas de rua ou espaços corporativos, e lojas para shoppings ou aeroportos. O investimento inicial varia de R$ 250 mil a R$ 450 mil, com faturamento médio mensal de R$ 75 mil, margem líquida em torno de 20% e retorno estimado entre 24 a 36 meses.
Cristian pontua que não é necessário ser especialista em café para investir na franquia. A rede oferece treinamentos completos em barismo, gestão de pessoas e operação, garantindo que cada unidade entregue não apenas uma bebida, mas um momento de pausa e prazer ao consumidor.
Inovação e olhar para o futuro
Cristian mantém o hábito constante de viajar em busca de conhecimento sobre gastronomia, equipamentos, tecnologia, sistema de atendimento e tendências globais. “O que acontece lá fora, em poucos anos chega ao Brasil. Se a franqueadora ficar parada no tempo, perde relevância. Precisamos estar sempre nos adaptando as novas realidades”, conclui.
Com forte identidade, modelo validado e foco em experiência, a Mr. Black Café Gourmet vem se consolidando como um exemplo de como um negócio familiar mineiro pode se transformar em uma franquia nacional de sucesso, inclusive, sem perder suas raízes.






