O varejo brasileiro atravessa um ciclo consistente de crescimento, sustentado tanto pela retomada do consumo quanto por mudanças estruturais no comportamento do consumidor. Nesse cenário, modelos que combinam diversidade de categorias, preço acessível e eficiência operacional vêm se consolidando como uma das principais vias de expansão dentro do franchising.
De acordo com dados de pesquisa da Compra Agora, plataforma B2B focada no varejista brasileiro, existe um ambiente de confiança entre os pequenos e médios varejistas: 83% esperam aumento de faturamento em 2026 na comparação com o ano anterior. O otimismo é respaldado por indicadores macroeconômicos. Segundo o IBGE, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,6% em fevereiro frente a janeiro, atingindo o maior nível da série histórica iniciada em 2000.
Embora o desempenho seja positivo de forma ampla, um recorte específico tem chamado atenção: redes que operam com portfólio multissetorial e posicionamento baseado em preço. Ao integrar categorias como vestuário, utilidades domésticas, decoração, brinquedos e itens sazonais em um único ponto de venda, essas operações conseguem ampliar ticket médio, aumentar recorrência e diluir riscos associados à sazonalidade de categorias isoladas.
Esse modelo ganha ainda mais relevância diante da reconfiguração do consumo. Segundo levantamento da Harris Poll, empresa americana de pesquisa de mercado e análise de dados, 43% dos consumidores pretendem migrar para produtos mais baratos, enquanto 26% consideram trocar de varejista em busca de economia.
É nesse contexto que redes como a Prioridade 10 vêm operando acima da média do setor. Com um modelo baseado na comercialização de produtos com preço máximo de até R$ 30, a marca estrutura sua proposta em três pilares: variedade, acessibilidade e eficiência operacional. O resultado é um faturamento médio mensal de R$ 197 mil por unidade, desempenho 58,6% superior à média do franchising nacional.
Para o CEO e fundador da rede, Rogerio Zorzetto, o diferencial competitivo está na capacidade de traduzir o comportamento do consumidor em um modelo replicável. “O consumo não diminuiu, ele se transformou. Hoje, existe uma busca muito mais racional por custo-benefício. Quando a operação consegue entregar variedade com preço acessível e manter eficiência na gestão, o crescimento passa a ser consequência”, afirma.
A estratégia de teto de preços desempenha papel central nesse processo. Além de simplificar a comunicação com o consumidor, reduz a fricção na decisão de compra e estimula compras por impulso. Em contrapartida, exige elevado nível de disciplina operacional, especialmente em negociação com fornecedores, gestão de estoque e controle de margens.
Outro vetor relevante é a alta rotatividade de produtos, que mantém o fluxo constante de clientes nas lojas. Em 2025, o vestuário respondeu por 36,87% do faturamento da rede, seguido por utilidades domésticas (28,74%). Categorias como brinquedos, decoração e acessórios também apresentaram participação relevante, evidenciando a eficácia do modelo multissetorial.
Além do posicionamento comercial, a estratégia de expansão também contribui para o desempenho acima da média. A Prioridade 10 tem priorizado a interiorização, ampliando sua presença em cidades de pequeno e médio porte, mercados que apresentam demanda reprimida e menor presença de grandes redes estruturadas.
Atualmente, a marca conta com 100 unidades em operação nos estados do Sul do país e projeta ultrapassar 110 lojas ainda em 2026, com expectativa de alcançar R$ 265 milhões em faturamento. Um indicador importante da consistência do modelo é a recorrência entre franqueados: cerca de 90% operam mais de uma unidade, evidenciando confiança na previsibilidade e na escalabilidade do negócio.
“O crescimento sustentável no franchising passa por três fatores: eficiência operacional, proximidade com o franqueado e entendimento do consumidor. Quando esses elementos estão alinhados, o modelo ganha escala e longevidade”, conclui Zorzetto.






