Aos 29 anos, o empresário Guilherme Álvares transformou um negócio iniciado de forma quase improvisada em uma das maiores operações de vending machines do Brasil. Fundador e CEO do Grupo Avend, ele lidera hoje a maior empresa nacional especializada na comercialização, manutenção e gestão de máquinas de vendas automáticas, um modelo de varejo automatizado que cresce rapidamente no país.
Somente no ano passado a empresa faturou cerca de R$ 20 milhões e projeta dobrar esse valor este ano. O modelo de negócio também evoluiu para uma rede de franquias que comercializa entre 25 a 30 novas unidades por mês, ampliando o acesso de novos empreendedores ao setor.
Jovem visionário
O empreendedor Guilherme Álvares sempre teve uma relação natural com o mundo dos negócios. Natural de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, ele começou a experimentar o empreendedorismo ainda na adolescência, muito antes de imaginar que um dia lideraria uma empresa milionária.
Aos 13 anos, movido pela paixão por tecnologia e jogos online, criou um servidor do jogo Tibia. Dentro do próprio ambiente virtual, passou a vender itens e vantagens para os jogadores, criando um sistema de monetização que rapidamente ganhou adesão. Os pagamentos eram feitos na conta da mãe, já que ele ainda era menor de idade. Apesar da informalidade, a experiência trouxe uma primeira percepção sobre criação de valor, audiência e geração de receita.
“Foi ali que tive a primeira experiência real de criar algo, atrair pessoas e gerar dinheiro com isso”, relembra.
Embora tenha crescido em um ambiente onde o empreendedorismo já estava presente, Guilherme conta que desde cedo percebeu que não se identificava com o modelo tradicional de carreira. “Sempre me atraiu mais a ideia de construir algo próprio do que seguir um caminho corporativo.”
Anos testando diferentes negócios
Guilherme passou por diferentes experiências empreendedoras antes de decidir focar totalmente no setor de vending machines. Após concluir a graduação em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, ele teve breves experiências profissionais em estágios – um na área de vendas da Empresa Júnior do Mackenzie e outro em uma empresa do setor de galpões logísticos. Mas seu foco sempre esteve em empreender.
Ao longo dos anos seguintes, testou diferentes ideias de negócio. Desenvolveu projetos na área de cosméticos, aproveitando a proximidade com o setor por conta da fábrica do pai. Também criou uma organização de esportes eletrônicos que chegou a ganhar relevância no cenário nacional de Counter-Strike.
Além disso, atuou no setor imobiliário construindo e comercializando casas (projeto esse que mantém até hoje) e chegou a lançar uma marca de camisetas com tecidos tecnológicos. Apesar da diversidade de iniciativas, havia um ponto em comum: as vending machines continuavam operando paralelamente, e o melhor, sempre gerando resultados.
A virada de chave: focar no que já funcionava
A mudança decisiva aconteceu quando Guilherme decidiu analisar de forma estratégica os resultados dos diferentes projetos que mantinha. Foi então que percebeu que, entre todas as iniciativas, as vending machines eram o único negócio que apresentava consistência ao longo dos anos.
“Quando olhei os números, ficou claro que nenhum dos outros projetos tinha a mesma previsibilidade e consistência que as máquinas já vinham apresentando”, diz.
A partir dessa constatação, ele tomou uma decisão estratégica: encerrar os demais projetos e concentrar todo o seu tempo e energia na construção de um negócio estruturado dentro do setor de varejo automatizado. Esse processo marcou o início da profissionalização da operação.
O nascimento do Grupo Avend
Em 2021, Guilherme decidiu estruturar formalmente o negócio e fundou o Grupo Avend. A proposta da empresa era clara desde o início, profissionalizar o mercado de vending machines no Brasil e construir uma operação escalável baseada em tecnologia e gestão de dados.
Inspirado em modelos já consolidados na Europa e na América do Norte, todas as máquinas do Grupo Avend contam com sistema de pagamento digital integrado diretamente no visor, aceitando cartões, aproximação ou pagamento via QR Code. A telemetria registra cada venda em tempo real e gera alertas automáticos quando o estoque atinge níveis críticos ou quando algum comportamento incomum é identificado.
O painel de gestão concentra todas as informações necessárias e pode ser acessado do computador ou do celular. O franqueado acompanha indicadores de produtos mais vendidos, valores sugeridos, horários de pico e projeções de reposição, permitindo que ele aja de forma rápida, o que irá impactar diretamente no resultado da operação.
O mix de produtos segue um padrão validado pelo franqueado e é ajustado pela franqueadora de acordo com o perfil de consumo de cada local. Os clássicos como snacks, biscoitos, chocolates e refrigerantes, são complementados por itens que variam conforme o local em que a máquina foi instalada, o que permite uma personalização sem perder o padrão operacional.
Hoje, os equipamentos utilizados pela empresa são importados e otimizados em parceria com fornecedores de países como Itália, China e Estados Unidos. O Grupo Avend desde então soma 113 máquinas próprias e mais de 150 franqueadas distribuídas pelo Brasil.
Validação do modelo antes da franquia
Antes de expandir o negócio por meio de franquias, Guilherme conta que optou por validar o modelo de operação. A empresa chegou a operar entre 50 e 60 máquinas próprias, distribuídas em diferentes pontos comerciais na cidade de Rio Preto e região. Esse volume permitiu testar logística, abastecimento, comportamento do consumidor e rentabilidade da operação.
Curiosamente, a decisão de transformar o negócio em franquia surgiu a partir de uma demanda espontânea do próprio mercado. “As vending machines despertam muita curiosidade. Muitas pessoas me abordavam querendo entender como funcionava o negócio e como poderiam participar.”
Esse interesse crescente mostrou que havia espaço para estruturar um modelo de franquia que permitisse a entrada de novos empreendedores no setor.
A criação da rede de franquias
Com o modelo validado, em 2025 o Grupo Avend iniciou sua expansão no mercado de franchising. Atualmente o investimento inicial para entrar na rede começa a partir de R$ 55 mil, incluindo taxa de franquia, sistemas, suporte inicial e, principalmente, a vending machine. O custo de transporte e estoque inicial somam cerca de R$ 4 mil a R$ 5 mil, com os primeiros R$ 2 mil em produtos já suficientes para iniciar a operação.
O modelo também se destaca pelo grande potencial de retorno, com um lucro médio entre R$ 4 mil e R$ 5 mil por mês e rentabilidade entre 7% e 10%. Com isso, o retorno costuma ser rápido, entre 10 a 16 meses, o que permite que o franqueado expanda de forma rápida. Como não existe a necessidade de funcionários, a operação é leve, e o capital de giro é de apenas R$ 3 mil, com royalties de 5%, taxa de publicidade de R$ 100 e manutenção de software de R$ 95.
Crescimento acelerado e faturamento milionário
O crescimento da Avend se refletiu diretamente nos números da empresa. No ano passado, o Grupo Avend registrou faturamento de aproximadamente R$ 20 milhões. Para 2026, a projeção inicial era atingir cerca de R$ 30 milhões, no entanto, os resultados positivos registrados nos primeiros meses deste ano indicam um cenário ainda mais promissor.
Segundo Guilherme, já existe a possibilidade de dobrar o faturamento de 2025 ao longo de 2026. Atualmente, a empresa conta com cerca de 60 colaboradores diretos e mais de 200 indiretos, considerando franqueados, parceiros e prestadores de serviço. A rede também mantém uma média de 25 a 30 novas unidades comercializadas por mês.
Inovação e próximos passos
O plano estratégico da empresa inclui novas frentes de crescimento. Entre elas está a verticalização do modelo de negócios, com a criação de uma plataforma de compras para franqueados que conectará diretamente fornecedores à rede. Essa iniciativa permitirá otimizar a cadeia de suprimentos e ampliar a rentabilidade dos operadores.
Outra frente de desenvolvimento é a monetização de mídia digital nas telas das máquinas, criando uma nova fonte de receita por meio de publicidade.
Expansão internacional no radar
A internacionalização também faz parte do plano de crescimento do Grupo Avend. Inicialmente, a estratégia previa expansão pela América Latina, com mercados como Argentina, Paraguai e Uruguai no radar. No entanto, segundo Guilherme, uma oportunidade inesperada pode antecipar a entrada da marca na Europa. Um franqueado da rede demonstrou interesse em levar o modelo de negócio para a Espanha, onde também possui residência.
Caso o projeto avance, essa poderá se tornar a primeira operação internacional da Avend.
Uma trajetória construída com tentativa e aprendizado
Apesar de ter construído uma empresa milionária antes dos 30 anos, Guilherme destaca que sua trajetória não foi linear. Foram anos experimentando ideias, aprendendo com erros e ajustando estratégias até encontrar um modelo de negócio capaz de crescer de forma consistente.
“Nada aconteceu de forma imediata. Foram muitos anos testando projetos e aprendendo com cada tentativa. Acredito que empreender é um processo contínuo de evolução”, enfatiza.
Mesmo com a consolidação da Avend como uma das principais empresas do setor no Brasil, Guilherme acredita que a jornada ainda está apenas começando. “Apesar de tudo que já construímos, tenho a sensação de que ainda estamos no início do que queremos fazer”, finaliza o jovem empresário.






