A história empreendedora de André Malamud não começa com um plano de negócios sofisticado ou uma grande oportunidade. Ela inicia com um misto de juventude e vontade de empreender.
Em 2001, aos 18 anos, cursando Administração, André e o irmão Daniel decidiram empreender no segmento de locação de máquinas de café. Foi ali que nasceu a Amiste Café, um negócio simples que, anos depois, se tornaria a primeira franquia de aluguel de máquinas de café do Brasil (office coffee service), com um faturamento de R$ 56 milhões em 2025.
Os irmãos começaram com um investimento de R$ 15 mil, em Londrina (PR). Até 2005, a operação funcionou dentro de casa e, depois, nos fundos da loja de roupas da mãe em um espaço improvisado que concentrava estoque e administração.
Era uma operação quase artesanal, tocada em paralelo à faculdade. Faltava experiência, estrutura e a clareza de que aquela iniciativa poderia se tornar algo maior. Ainda assim, havia um aprendizado acontecendo: relacionamento com clientes, operação de máquinas e entendimento de um mercado pouco explorado.
Sem plano B
O ponto de inflexão veio em 2005. Naquele momento, André trabalhava em uma indústria de jeans, onde coordenava uma equipe e vivia uma rotina corporativa. Em tese, era uma situação que oferecia estabilidade.
A decisão que mudou a trajetória dos irmãos foi justamente abrir mão desse caminho. André pediu demissão para se dedicar à Amiste Café, enquanto o irmão deixou a faculdade de engenharia. “Foi nesse momento que a empresa deixou de ser uma atividade paralela e passou a ser tratada como prioridade”, afirma.
Mais do que uma escolha profissional, foi uma mudança de mentalidade: a partir dali, não havia um plano B. Com foco em qualidade e reinvestimento constante, a operação começou a ganhar escala. Em 2011, a Amiste Café já era líder no mercado local, competindo inclusive com grandes players nacionais.
O diferencial estava no modelo de atuação. Em vez de operar cafeterias ou depender do consumo direto, a empresa focou no mercado B2B, alugando máquinas de café para empresas e construindo uma carteira recorrente de clientes. Esse formato trouxe previsibilidade de receita e permitiu um crescimento mais estruturado ao longo dos anos.
Virou franquia
Com a operação consolidada, surgiu a necessidade de expansão. O movimento começou com uma unidade própria em outra cidade, como Maringá (PR).
Em 2012, veio a decisão de franquear a Amiste Café. A escolha foi estratégica: antes de avançar, André buscou validação com especialistas e consultorias, já que o franchising no modelo B2B ainda era pouco explorado no Brasil. A primeira franquia foi vendida em 2013, marcando o início de uma nova fase.
Estruturar a franqueadora exigiu um novo ciclo de aprendizado. No início, sem uma equipe robusta, os próprios fundadores assumiam múltiplas funções, da expansão ao suporte aos franqueados.
O modelo foi sendo construído gradualmente. Um dos principais indicadores dessa consistência é que, desde o início da operação de franquias, nenhum franqueado encerrou as atividades. “Pelo contrário: muitos expandiram suas operações e abriram novas unidades ao longo dos anos”, destaca André.
Hoje, a Amiste Café conta com 25 unidades distribuídas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A meta é chegar a 40 franquias até o fim de 2026 e atingir um faturamento de R$ 80 milhões.
Expansão Norte e Nordeste
Embora a expansão seja nacional, André explica que nesse primeiro momento o foco está nas regiões Norte e Nordeste, onde a marca ainda não atua. Capitais como Salvador, Recife, Maceió, Fortaleza e Natal estão entre as prioridades, além de cidades como Palmas, São Luís e Belém.
Para sustentar esse crescimento, a empresa estruturou um modelo de negócio que combina locação de máquinas, fornecimento de insumos, gestão de clientes e assistência técnica.
Com investimento inicial a partir de R$ 700 mil, o formato é baseado na construção de uma carteira recorrente. “Mais do que vender café, entregamos soluções completas que impactam o dia a dia das empresas”, destaca André.
Diferente de franquias tradicionais do varejo, o modelo reduz a dependência de fluxo de consumidores e aumenta a previsibilidade de receita, um dos principais pilares da operação.
Como parte da estratégia de expansão, a Amiste Café também desenvolveu um modelo de microfranquia, voltado para cidades entre 50 mil e 200 mil habitantes, com investimento inicial a partir de R$ 90 mil. O objetivo é ampliar a capilaridade da marca e acelerar a entrada em novos mercados, mantendo o padrão operacional construído ao longo dos anos.






