Mesmo com mais de 56 mil academias em operação no Brasil, segundo dados do Panorama Setorial Fitness Brasil 2024, ainda há espaço para modelos que rompem com o padrão tradicional. Foi nesse contexto que surgiu a Silva Gym, criada no Rio de Janeiro com a proposta de transformar a experiência da musculação em algo mais personalizado e atrativo.
Fundada em 2023 por Rafael Silva, a rede se diferencia ao limitar o número de alunos por unidade e oferecer acompanhamento próximo com um profissional da equipe para cada três alunos.
Em três anos, a empresa estruturou sua expansão por meio de franquias e já soma 12 unidades em operação, além de mais de 25 contratos em negociação. A expectativa é alcançar um faturamento de R$ 70 milhões até 2026.
Da consultoria digital ao modelo físico
Antes de empreender, Silva iniciou a graduação em Direito, mas decidiu mudar de rumo ao perceber maior afinidade com o universo fitness. Migrou para Nutrição e passou a produzir conteúdo nas redes sociais, o que ampliou sua visibilidade.
Durante a pandemia, em 2020, lançou uma consultoria online voltada a treinos e orientação nutricional. A experiência revelou uma oportunidade: muitos alunos se sentiam desconfortáveis em academias convencionais, seja pela lotação, seja pela falta de acompanhamento.
A partir dessa percepção, nasceu a ideia de criar um ambiente mais controlado e acolhedor. Em parceria com o sócio Eduardo Prado, o empreendedor investiu cerca de R$ 1,9 milhão na primeira unidade, inaugurada em janeiro de 2023, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Com capacidade limitada a cerca de 350 alunos, o espaço atingiu lotação em poucos meses. A restrição de vagas, que inicialmente poderia ser vista como barreira, acabou se tornando um diferencial competitivo — hoje, a rede tem uma fila de espera que gira em torno de mil pessoas.
Ajustes de preço e busca por rentabilidade
Apesar da rápida adesão, o modelo exigiu ajustes financeiros. No início, o tíquete médio girava em torno de R$ 313, valor insuficiente para sustentar a operação. Ao longo do tempo, a empresa revisou sua estratégia de precificação, elevando as mensalidades gradualmente.
No segundo ano, com tíquete médio de R$ 500, o negócio atingiu o equilíbrio operacional, mas ainda sem lucro. A abertura de uma segunda unidade, também na Barra, ampliou a visibilidade da marca e trouxe aprendizados sobre gestão de capacidade.
A virada veio no terceiro ano, quando o tíquete médio se aproximou de R$ 900, faixa em que a operação passou a gerar resultado positivo. Hoje, os planos variam entre R$ 839 e R$ 1 mil, dependendo da unidade.
Expansão estruturada
Com o modelo validado, a Silva Gym iniciou sua expansão por franquias em 2024. Atualmente, a rede está presente no Rio de Janeiro, São Paulo e Balneário Camboriú. O investimento inicial para abertura de uma unidade parte de R$ 2,6 milhões, com prazo estimado de retorno entre 26 e 36 meses.
Embora o limite de alunos por unidade imponha um teto de faturamento, a empresa aposta na diversificação de receitas e na alta retenção — estimada em cerca de 70% — para sustentar o crescimento.
Entre as iniciativas está a operação de suplementos, que deve ultrapassar R$ 5 milhões em faturamento anual, além de parcerias estratégicas, como o lançamento de coleções com marcas de streetwear.
A companhia também investe em eventos proprietários, como o Silva Day, que combina atividades físicas, música e experiências para os alunos. A edição mais recente teve ingressos esgotados em poucos minutos, e a próxima deve reunir cerca de 2 mil participantes.
Com novos projetos e a expansão da rede, a meta é encerrar o ano com 30 unidades em operação, incluindo entrada em estados como Minas Gerais e Espírito Santo — movimento que sustenta a projeção de crescimento acelerado da empresa nos próximos anos.






