Franquias sem funcionários ganham força e impulsionam segmento que faturou R$ 2,5 bi no país

Com automação, autosserviço e gestão remota, modelos enxutos acompanham mudanças no comportamento do consumidor e avançam no franchising brasileiro

O avanço da automação e a busca por operações mais enxutas têm impulsionado uma nova configuração no mercado de franquias: negócios que funcionam sem a necessidade de funcionários fixos no ponto de atendimento. O movimento registra crescimento expressivo no segmento de Limpeza e Conservação, que faturou R$ 2,5 bilhões em 2025 — uma alta de 16,8% em relação aos R$ 2,1 bilhões do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Segundo a entidade, os principais fatores desse avanço são a expansão das lavanderias expressas, a alta demanda por autosserviço e a ampliação de serviços.

O movimento acompanha o crescimento do mercado de franchising brasileiro, que ultrapassou R$ 300 bilhões em faturamento em 2025, com avanço nominal de 10,5% ante o período anterior. Segundo a ABF, o resultado reflete a adaptação das redes às transformações nos modelos de negócio e às novas demandas dos consumidores.

Dentro dessa estrutura, as franquias de autosserviço ampliam presença ao integrar tecnologia, atendimento automatizado e menor necessidade de infraestrutura física. Dados da ABF indicam que a expansão das lavanderias expressas favoreceu o segmento de Limpeza e Conservação, que registrou alta de 13,8% no primeiro trimestre de 2026. A entidade atribui o resultado à busca por praticidade, às mudanças no perfil das moradias urbanas e à menor oferta de mão de obra doméstica.

No mercado de lavanderias self-service, marcas como a Acqua Lavanderia Express e a Lavup operam com modelos automatizados que dispensam o atendimento presencial contínuo, transferindo ao franqueado a gestão remota de indicadores, manutenção, abastecimento e processos operacionais.

Essa configuração altera a atuação do empreendedor, que passa do trabalho operacional do ponto de venda para funções focadas em gestão, acompanhamento de resultados, manutenção e experiência do consumidor.

A tendência de redução de postos operacionais fixos também se estende a outros ramos, como o mercado de mobilidade elétrica. A Tcharge, rede voltada à infraestrutura de recarga para veículos elétricos, adota um modelo sem contratação de funcionários operacionais diretos. Nesse formato, a atuação do franqueado concentra-se no desenvolvimento comercial e no relacionamento, englobando a prospecção de parceiros, apresentação de soluções, acompanhamento de propostas e atendimento pós-venda.

Seja no autosserviço voltado ao consumidor final ou em modelos de gestão comercial, a expansão das franquias sem funcionários modifica a estrutura operacional das unidades, centralizando o papel do franqueado nas etapas de vendas, gestão e acompanhamento de indicadores.