Segurança por assinatura avança no Brasil e muda a forma como empresas investem em videomonitoramento

Modelo baseado em mensalidades reduz investimentos iniciais, facilita a atualização tecnológica e acompanha tendência já consolidada em setores como software, streaming e computação em nuvem

O modelo de contratação por assinatura, consolidado em mercados como entretenimento, softwares e armazenamento em nuvem, também começa a transformar o setor de segurança eletrônica. Empresas de diferentes portes têm substituído a compra de equipamentos e infraestrutura própria por serviços recorrentes que incluem monitoramento, manutenção, armazenamento em nuvem e atualizações tecnológicas, reduzindo o investimento inicial e tornando os custos mais previsíveis.

A mudança acompanha a expansão do mercado. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), o setor de segurança eletrônica deve crescer até 18,8% em 2026, enquanto o segmento de monitoramento terceirizado, baseado justamente em contratos recorrentes, tem expectativa de expansão de 23%, refletindo a busca das organizações por soluções mais flexíveis e escaláveis.

Na prática, o modelo permite que empresas utilizem tecnologias mais modernas sem a necessidade de imobilizar capital na aquisição de equipamentos que podem se tornar obsoletos em poucos anos. Em vez disso, o investimento passa a ser direcionado ao serviço prestado, em contratos mensais que, no mercado, costumam variar de algumas dezenas a algumas centenas de reais por câmera, conforme a complexidade da operação e os recursos contratados.

Para Vinicius Romano, CEO da Camerite, rede de videomonitoramento com 120 franquias ativas no Brasil, essa mudança representa uma evolução natural da forma como as empresas consomem tecnologia. “O mercado percebeu que manter sistemas atualizados é tão importante quanto adquiri-los. O modelo por assinatura permite acompanhar essa evolução contínua sem que o cliente precise reinvestir constantemente em infraestrutura.”

Além da previsibilidade financeira, o formato facilita a incorporação de novas funcionalidades baseadas em inteligência artificial, como leitura automática de placas, reconhecimento facial autorizado, análise de comportamento e geração de alertas inteligentes, recursos que passam a ser adicionados conforme a necessidade de cada operação.

“O investimento deixa de estar concentrado na compra de equipamentos e passa a priorizar o acesso permanente à tecnologia. Isso amplia o acesso a soluções mais modernas e permite que empresas de diferentes portes evoluam no mesmo ritmo das inovações do setor”, afirma Romano.

A tendência acompanha um movimento mais amplo da economia, no qual o acesso contínuo ao serviço vem substituindo a lógica da propriedade em diferentes segmentos. No mercado de segurança eletrônica, essa mudança também favorece a atualização constante das plataformas e torna a gestão tecnológica mais simples para empresas, condomínios e organizações que buscam maior eficiência operacional sem comprometer o fluxo de caixa.