Humor vende mais que desconto e transforma lojistas em influenciadores do próprio negócio

Com vídeos descontraídos, bastidores e linguagem próxima do consumidor, franquia Sandaliaria incentiva o uso do entretenimento como estratégia para aumentar fluxo, engajamento e faturamento nas lojas físicas

O varejo descobriu que, em um cenário dominado pelas redes sociais, vender produtos já não é suficiente. Agora, é preciso disputar atenção. E, nesse jogo, o humor tem se tornado uma das ferramentas mais eficientes para transformar seguidores em clientes. Vídeos espontâneos, situações engraçadas do dia a dia e conteúdos que aproximam marcas das pessoas vêm ajudando empresas a aumentar alcance, fortalecer relacionamento e impulsionar vendas.

Na Sandaliaria, rede de franquias de sandálias multimarcas, essa estratégia deixou de ser tendência para virar prática consolidada dentro da rede. Segundo o fundador e CEO da marca, Rodrigo Deotto, as unidades que abraçam o digital conseguem resultados mais expressivos tanto em fluxo quanto em faturamento.

“Temos focado na criação de vídeos mais interativos, atrativos e com um padrão mais profissional, justamente pra facilitar o uso por toda a rede. Levando em consideração o momento do varejo, onde o digital tem um peso cada vez maior no consumo. Nosso objetivo é ajudar as lojas a se comunicarem melhor e gerarem mais resultado através desses conteúdos. Hoje o que a gente tem percebido muito forte na rede é que as unidades que realmente abraçam o digital acabam performando melhor. Lojas que trabalham bem o Instagram, com um perfil organizado, bonito, com constância de postagens e conteúdo mais comercial conseguem gerar mais desejo e fluxo. Além disso, o uso de tráfego pago tem feito bastante diferença, principalmente para trazer cliente novo e divulgar ações específicas”, afirma Deotto.

Mais do que divulgar produtos, os conteúdos produzidos pelas unidades passaram a funcionar como vitrines emocionais. O consumidor não compra apenas a sandália: compra a identificação, o entretenimento e a sensação de proximidade com a marca.

A lojista que transformou vídeos engraçados em aumento de 30% no faturamento

 

Na unidade da Sandaliaria em São José do Rio Preto (SP), localizada em uma galeria comercial, a franqueada Paula Flores percebeu rapidamente que os vídeos publicados nas redes sociais poderiam ir muito além de simples divulgação de produtos.

“Quando vimos que as pessoas aguardavam os vídeos, se identificavam com as situações e passavam a acompanhar a rotina da loja, ficou claro que não era apenas sobre vender produtos, mas sobre criar vínculo, gerar identificação e estar presente no dia a dia delas de uma forma leve e verdadeira”, conta.

A estratégia começou de maneira espontânea, mas logo ganhou força. Paula passou a apostar em conteúdos com humor, situações do cotidiano e vídeos descontraídos mostrando produtos e bastidores da loja. O resultado foi um crescimento médio de cerca de 30% no faturamento desde o início da produção constante de conteúdo.

Segundo ela, o impacto vai além das vendas diretas. “Muitas pessoas chegam até a loja através dos vídeos. Já aconteceu de a pessoa entrar e falar: ‘Ah, você é a moça dos vídeos? Então é aqui mesmo (risos)’. Isso aproxima muito o cliente.”

Um dos conteúdos publicados pela unidade ultrapassou 140 mil visualizações orgânicas no TikTok após apresentar uma nova cor de sandália de maneira descontraída. Para Paula, o humor virou um diferencial competitivo em um setor onde produtos semelhantes disputam a atenção do consumidor.

“O varejo de calçados é muito competitivo. O humor aproxima, gera identificação e torna a experiência mais leve e memorável. Hoje, o cliente não escolhe apenas pelo produto, mas pela conexão que cria com a marca”, afirma.

A presença do filho Miguel, de 11 anos, nos vídeos também virou um elemento importante da comunicação da loja. “Ele traz espontaneidade e uma linguagem muito próxima do público”, enfatiza a franqueada.

Em Campo Largo, o Instagram virou vitrine emocional e ferramenta de lembrança de marca

 

Na unidade de Campo Largo (PR), o franqueado João Paulo Ardigo apostou no conteúdo digital desde a abertura da operação, em 2025. Para ele, as redes sociais deixaram de ser apenas uma vitrine e passaram a desempenhar um papel estratégico na construção de relacionamento com os clientes.

“O cliente hoje quer se identificar com a marca antes mesmo de entrar na loja. Muitas vezes, a decisão de compra começa nas redes sociais”, afirma.

Segundo Ardigo, conteúdos em vídeo conseguem gerar muito mais atenção do que fotos tradicionais de produtos. Mostrar sandálias em uso, bastidores, tendências e situações engraçadas do cotidiano faz com que o público permaneça mais tempo conectado ao perfil da loja. “Vivemos em um cenário em que todo mundo está conectado às telas. Quando aparecem pessoas reais nos vídeos, o conteúdo ganha vida. O cliente sente mais proximidade e confiança”, explica.

Embora ainda não consiga mensurar exatamente o impacto financeiro das redes sociais nas vendas, o franqueado afirma que percebe claramente aumento no fluxo da loja física e na recorrência dos clientes. “Hoje, praticamente todo mundo chega falando que viu algum produto no Instagram. A presença digital mantém a marca viva na cabeça do consumidor”, diz.

João Paulo também destaca que autenticidade pesa mais do que produções excessivamente sofisticadas. “As pessoas gostam de ver algo verdadeiro. Ninguém começa sabendo gravar vídeos perfeitamente, mas o público se conecta justamente com pessoas reais”, afirma.

Em Aquidauana, metade das vendas do mês já veio das redes sociais

Na cidade de Aquidauana (MS), os franqueados Felipe Alexandre Gomes Fernandes e Patrícia de Almeida Garib começaram a investir pesado em conteúdo digital duas semanas antes da inauguração da unidade.

A estratégia já fazia parte da rotina dos empreendedores em outros negócios, mas ganhou ainda mais relevância dentro da Sandaliaria. Hoje, segundo Felipe, as redes sociais funcionam como um verdadeiro vendedor ativo da loja. “As pessoas passam boa parte do dia nas redes sociais. Quem não aproveita isso está perdendo tempo e dinheiro”, avalia.

Os vídeos produzidos pela unidade misturam humor, tendências, sugestões de presentes e bastidores da loja. O objetivo é gerar conexão e manter o perfil ativo na rotina do consumidor.

“Hoje, as pessoas não seguem a loja apenas para comprar. Elas acompanham novidades, gostam do dia a dia, criam vínculo com a marca”, diz.

Os resultados já aparecem no caixa. Em determinados períodos, cerca de 50% das vendas da unidade tiveram origem nas redes sociais. Além disso, entre 15% e 30% do faturamento mensal costuma estar diretamente ligado ao ambiente digital.

O franqueado relembra que um dos maiores sucessos da loja aconteceu após a divulgação de um modelo de Havaianas Brasil em vídeo. “Foi uma explosão de vendas”.

Felipe acredita também que criatividade se tornou mais sustentável do que depender exclusivamente de promoções. “Promoção ajuda a girar estoque. Criatividade ajuda a construir marca”, enfatiza.

Para ele, o medo de aparecer ainda trava muitos empresários. “Quem não é visto não é lembrado. Hoje, rede social é um vendedor com grande potencial dentro da loja. Mas precisa ser usada diariamente e da forma correta”, conclui.