Saúde puxa nova onda do franchising e cresce acima da média no Brasil

Com avanço de 14,6% em 2025, segmento se consolida como vetor de expansão e revela mudança estrutural no comportamento do consumidor

O franchising brasileiro entrou em uma nova fase de crescimento, e ela passa diretamente pela saúde. Em um setor que faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, com alta de 10,5%, poucos segmentos avançaram tanto quanto Saúde, Beleza e Bem-Estar. Com crescimento de 14,6% e movimentação de R$ 74,3 bilhões, o grupo já se posiciona como um dos principais motores do sistema no país.

O dado, por si só, chama atenção. Mas o que está por trás dele é ainda mais relevante: uma mudança estrutural no comportamento do consumidor brasileiro. A busca por longevidade, prevenção e qualidade de vida deixou de ser tendência e passou a orientar decisões de consumo. Na prática, isso reposiciona o papel de academias, clínicas e serviços ligados ao bem-estar, que deixam de ser acessórios e passam a ocupar espaço central na rotina das pessoas.

Esse movimento tem impacto direto no setor de franquias. Modelos mais especializados, com abordagem técnica e maior previsibilidade de resultado, começam a ganhar espaço sobre formatos mais genéricos.

É nesse contexto que redes como a DoctorFit aceleram sua expansão. Fundada em 2012, a marca opera estúdios de treinamento físico com foco em personalização e acompanhamento contínuo. Hoje, soma 64 unidades no Brasil e projeta chegar a 100 no curto prazo.

A proposta combina atividade física, saúde metabólica e medicina do estilo de vida, com no máximo três alunos para cada personal trainer e baseados em protocolos científicos. A padronização é sustentada por um sistema próprio de gestão, que organiza métricas, evolução dos alunos e desempenho das unidades.

Na prática, o modelo traduz uma tendência maior do setor: a profissionalização da experiência. Na ponta, os resultados ajudam a explicar o avanço. O administrador Richardson Carlos abriu sua primeira unidade em 2021, em plena pandemia. Hoje, opera duas unidades em Itajubá, Minas Gerais e prepara a terceira.

Com investimento inicial a partir de R$ 170 mil, operação enxuta e estrutura compacta, as unidades registram faturamento médio entre R$ 20 mil e R$ 30 mil mensais. A margem líquida gira entre 30% e 40%, com retorno estimado entre 16 e 20 meses.

Os números reforçam o apetite do empreendedor por modelos com maior previsibilidade e escala controlada. Para 2026, a expectativa é de continuidade. A Associação Brasileira de Franchising projeta crescimento entre 8% e 10% para o setor, com expansão no número de redes, operações e empregos.

Mais do que um ciclo positivo, o que se desenha é uma reconfiguração do próprio mercado. À medida que a saúde preventiva ganha protagonismo e a população envelhece, negócios posicionados na interseção entre bem-estar, ciência e performance tendem a ocupar espaço crescente. No franchising, isso já começou.