O empreendedorismo segue em alta no Brasil e cada vez mais pessoas enxergam no próprio negócio uma oportunidade de crescimento profissional e realização pessoal. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2025), realizada pelo Sebrae em parceria com a Anegepe, ter uma empresa própria passou a ser o segundo maior sonho dos brasileiros, citado por 40% da população adulta.
Entre os segmentos que acompanham esse movimento está o franchising, entre eles, o setor de educação. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento de Educação registrou crescimento de 8,9% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionado pela busca por qualificação profissional, ensino de idiomas e desenvolvimento contínuo. Redes educacionais seguem atraindo tanto alunos quanto investidores interessados em negócios de receita recorrente e propósito.
Para André Belz, CEO da Rockfeller Language Center e Diretor da ABF, o sucesso de uma empresa está diretamente ligado à capacidade do empreendedor de combinar disciplina na gestão com foco nas pessoas. “Nenhum modelo de negócio, por mais estruturado que seja, substitui a dedicação. Crescimento sustentável acontece quando o empreendedor participa da operação, desenvolve equipes, acompanha indicadores e mantém uma visão estratégica de longo prazo”, comenta.
Mas, afinal, quais práticas realmente fazem a diferença na gestão de um negócio? Embora cada empreendedor tenha uma trajetória diferente, um ponto aparece em comum entre todos eles: a dedicação. À frente de unidades da Rockfeller em diferentes regiões do país, esses franqueados transformaram experiências, desafios e aprendizados em estratégias de gestão que contribuíram para o crescimento de seus negócios.
1. Planejamento financeiro é tão importante quanto dedicação
Empreendedor desde 1998, Cristiano Almeida, 49 anos, é franqueado da Rockfeller Joinville (SC) e acompanhou de perto o crescimento do franchising no Brasil. Com formação em Empreendedorismo e pós-graduação em Gestão Empresarial, ele acredita que muitos negócios enfrentam dificuldades não pela falta de dedicação, mas pela ausência de planejamento financeiro nos primeiros meses de operação.
Por isso, sua principal recomendação é que o empreendedor organize as finanças antes mesmo de abrir as portas e evite depender exclusivamente da renda da empresa no início da operação. Segundo ele, conhecer todos os processos antes de delegar funções também reduz riscos e fortalece a gestão. “Sempre que possível, inicie o negócio sem depender financeiramente dele nos primeiros seis meses. Conheça a operação, planeje cada etapa e só depois transfira responsabilidades. Isso traz muito mais segurança para o crescimento do negócio.”
2. Faça da captação de novos alunos uma prioridade e aprenda a delegar
Aos 24 anos, Iago Claro e Silva é franqueado da Rockfeller Ponta Grossa (PR) junto com a irmã. Formado em Gestão Financeira, começou a empreender aos 18 anos e encontrou no franchising uma oportunidade de acelerar seu desenvolvimento profissional. Para ele, uma empresa só consegue crescer quando o empreendedor mantém o foco na captação de novos alunos e entende que, com o tempo, será necessário dividir responsabilidades para sustentar esse crescimento.
Segundo Iago, muitos empreendedores acreditam que precisam fazer tudo sozinhos, mas essa postura acaba limitando o desenvolvimento da empresa. “Delegar exige desenvolver processos, contratar pessoas competentes e dar autonomia. O empreendedor não deve fazer tudo sozinho, mas construir uma empresa capaz de crescer além da sua própria capacidade de trabalho”, destaca.
3. Conheça profundamente e mais do que ninguém o seu negócio
Aos 47 anos, a administradora Rosi Fernandes é franqueada da Rockfeller Estreito (SC), mas sua história com a rede começou muito antes. Depois de atuar durante oito anos na área comercial e passar por três unidades diferentes, decidiu investir na própria escola. A experiência adquirida ao longo desse percurso fez com que ela entendesse um dos principais pilares da gestão: ninguém conhece um negócio melhor do que quem está à frente dele.
Para Rosi, acompanhar a operação de perto permite tomar decisões mais assertivas, desenvolver a equipe e identificar rapidamente oportunidades de melhoria. “Você precisa ser a pessoa que mais entende do seu negócio. Nenhum colaborador pode querer mais que você que a empresa dê certo. Trabalhar dá trabalho, mas quando você acredita no que faz e nas pessoas que estão ao seu lado, o resultado compensa.”
4. Trabalhe com propósito e tenha coragem para pensar grande
Há 13 anos, Maria Clara Dietrich Ayala de Queiroz divide a gestão da Rockfeller Cascavel (PR) com a mãe, Iara. A parceria nasceu da paixão da família pela educação e ganhou força quando encontraram na metodologia da rede um propósito alinhado ao que acreditavam. Desde então, acompanhar a transformação dos alunos se tornou um dos principais combustíveis para o crescimento da unidade.
Para Maria Clara, resultados financeiros são importantes, mas tendem a ser consequência quando o empreendedor acredita genuinamente no impacto que o seu negócio gera. Além disso, ela defende que pensar grande desde o início ajuda a orientar decisões e estabelecer objetivos mais ambiciosos. “Quando você sabe o impacto que o seu trabalho gera na vida das pessoas, vender deixa de ser apenas uma negociação e passa a ser algo natural. Sonhar grande e trabalhar com dedicação fazem parte desse processo.”






