O setor varejista brasileiro apresenta crescimento em duas frentes distintas de atuação: a expansão física de redes populares direcionada a cidades pequenas e médias e o avanço das vendas em plataformas digitais baseadas em conteúdo e algoritmos.
Na frente física, o levantamento TOP 300 do Varejo Brasileiro, realizado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT), aponta que 206 empresas do setor atingiram receita superior a R$ 1 bilhão. Juntas, essas companhias movimentaram R$ 1,26 trilhão em 2025, o que representa 94,7% do faturamento total das 300 maiores empresas analisadas.
A interiorização de operações é uma das estratégias adotadas no segmento físico. A Prioridade 10, rede de franquias de varejo popular com mais de 100 unidades, atua com teto de preço de R$ 30 e mescla produtos de vestuário, utilidades domésticas e itens sazonais. Conforme dados divulgados pela franqueadora, as unidades registram faturamento médio mensal de R$ 197 mil, valor 58,6% superior à média do mercado de franquias reportada para 2025.
Paralelamente, o comércio digital registra aumento no modelo de Discovery Commerce, no qual a jornada de compra é iniciada por meio do consumo de conteúdos em redes sociais. Projeções da Mordor Intelligence indicam que o social commerce no Brasil deve passar de US$ 15,6 bilhões em 2025 para US$ 55,7 bilhões em 2030. Em seu primeiro ano de operação no país, o TikTok Shop registrou aumento de 102 vezes no GMV médio diário, com 57,8% dos usuários realizando compras após a descoberta de produtos na plataforma.
O cenário e a integração entre os canais foram debatidos em encontro promovido pelo Mercado & Opinião, em São Paulo. De acordo com Marcos Koenigkan, presidente do Think Tank, o modelo de consumo atual exige que as marcas conquistem a atenção do público antes do surgimento da intenção direta de compra, apontando a criação de influência digital como fator central para a geração de novas demandas. Entre as possibilidades operacionais discutidas no evento está o uso da estrutura das lojas físicas para transmissões de vendas ao vivo (live commerce) durante horários de menor movimento.






