Motorista de app vende carro por R$ 40 mil, investe na franquia La Brasa Burger e hoje fatura R$ 2 milhões

Com o nome sujo e um carro como único bem, Ernandes Maurício Vertuan investiu em uma rede de hamburgueria para realizar o sonho de empreender

Ernandes Maurício Vertuan nasceu em Londrina (PR), mas passou sua infância e adolescência em Alvorada do Sul (PR). Aos 21 anos, se mudou para Curitiba, onde construiu sua trajetória profissional, colecionando colecionou ofícios como vendedor, corretor de imóveis, motorista de aplicativo, e outros. Fez o que apareceu, mas nada preenchia o desejo insistente de abrir o próprio negócio. Havia um obstáculo recorrente: quando o mês terminava, o dinheiro nunca sobrava. Às vezes, faltava.

Até que, rolando o feed do Facebook, um anúncio chamou atenção: “Invista R$ 150 mil e fature até R$ 850 mil por ano”. Era da franquia La Brasa Burger. Ernandes clicou mais por impulso do que por esperança. Ele não tinha sequer um quarto do valor necessário. Mas sabia que, se não clicasse, nada mudaria.

Mesmo sem garantias, marcou reunião com a franqueadora. Contou sua história, abriu o jogo sobre as dificuldades e ouviu algo que não esperava: a rede aceitou vender uma unidade para ele. O impossível começava a se tornar possível.

Vendeu seu único bem

Para transformar a promessa em realidade, Ernandes tomou a decisão mais simbólica da sua vida: vendeu o único bem que tinha, o carro, por R$ 40 mil. Ficou a pé, literalmente e financeiramente.

Sem crédito, buscou ajuda da sogra, que emprestou o nome para que ele conseguisse uma carta de crédito contemplada. O restante ele fechou “na coragem”, preenchendo cheques pré-datados sem ter certeza de como pagaria.

Mas a conta não fechava. Os boletos batiam à porta. Durante meses, vieram ligações de cobrança, cinco cheques atrasados, fornecedores inquietos. Mas havia uma coisa que nunca atrasava: o comprometimento de atender cada ligação e prometer que honraria tudo, e ele honrou. “Demorou mais de um ano para quitar cada centavo, mas eu paguei todo mundo. Deus foi muito bom comigo”, lembra.

Em agosto de 2019, a unidade da La Brasa Burger finalmente abriu as portas em Curitiba. Simples, apertada, montada com improvisos, mas carregada de fé, trabalho e urgência. Foi o suficiente.

A pandemia: o divisor de águas

A pandemia abalou o comércio no mundo inteiro. Quando o lockdown foi decretado, praticamente todos os restaurantes da região fecharam. Mas antes de baixar as portas, ele checou a legislação no site da prefeitura. Descobriu que poderia operar apenas no delivery. Ficou aberto. E, por uma semana inteira, foi praticamente a única hamburgueria ativa na região.

Pedidos entrando sem parar, aplicativos apitando, fila digital rodando como nunca.

O que parecia um momento de sobrevivência virou uma explosão de expansão. Consumidores que nunca tinham ouvido falar da marca se tornaram recorrentes. E, quando os concorrentes voltaram, o movimento não caiu. Aumentou.

O salão ficou pequeno. A cozinha precisou subir um andar. O espaço foi reformado, repaginado, ampliado. Seis anos depois, a hamburgueria fatura R$ 2 milhões por ano, o melhor momento da história da unidade.

Nessa trajetória, Ernandes destaca sua esposa, Vanessa Mazetto Vertuan. Ela assumiu o financeiro, organizou a burocracia, ajudou na carta de crédito e segurou a estrutura quando tudo parecia frágil. “Sem a Vanessa o negócio não existiria”, diz.

O cliente que voltou

Ernandes costuma dizer que é “do interior”, e isso se traduz no jeito de se relacionar. Ele circula pelas mesas, conversa, faz piada com quem espera o pedido. Com isso, transformou clientes em amigos.

Uma das histórias mais marcantes surgiu de uma reclamação: o filho de um casal só comia McDonald’s. Para evitar que a família fosse embora frustrada, ele propôs algo incomum: que passassem no drive-thru do concorrente e trouxessem o lanche da criança para dentro da hamburgueria.

“Ninguém deve sair daqui frustrado. O que importa é que a família se sinta bem. A comida a gente conquista depois”, diz. Funcionou: o menino virou cliente fiel e, depois de experimentar o hambúrguer da casa, nunca mais pediu McDonald’s.