Franquias aceleram expansão e enfrentam o desafio de administrar a própria escala

Suporte, controle de qualidade e logística precisam acompanhar redes que incorporam centenas ou milhares de unidades

O crescimento acelerado das redes de franquias no Brasil tem exigido adaptações estruturais para garantir a qualidade da operação e o suporte aos franqueados. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o país encerrou o segundo trimestre de 2026 com 207,2 mil operações ativas, um acréscimo de 6.652 unidades em relação ao mesmo período do ano anterior, acumulando faturamento de R$ 76,3 bilhões no trimestre (+9,3%).

Com o avanço rápido no número de unidades, a sustentação da escala exige investimentos contínuos em processos, infraestrutura logística, tecnologia e reorganização de equipes por parte das franqueadoras.

Reorganização operacional e especialização por produto

Na rede Azul Empréstimo, o volume comercializado passou de 800 unidades em agosto de 2025 para mais de 2.000 em 2026. Para absorver a demanda, a empresa descentralizou o atendimento e estruturou células especializadas para cada linha de negócio.

Segundo Ademilson Mendes, CEO da companhia, a criação de diretivas dedicadas a segmentos específicos, como consórcios e crédito imobiliário, permitiu ampliar o suporte e impulsionar as vendas diárias. A franqueadora projeta fechar 2026 com faturamento de R$ 300 milhões, ante R$ 180 milhões registrados em 2025.

Controle de qualidade e acompanhamento na ponta

Para operações baseadas na prestação de serviços, como a Mary Help que realiza cerca de 700 mil atendimentos anuais por meio de 10 mil profissionais, a escala impõe desafios de padronização fora da sede corporativa.

A rede monitora o nível de satisfação dos clientes finais com suporte de plataformas de avaliação pública e sistemas de reputação, registrando uma média de três reclamações para cada 10 mil diárias prestadas.

Logística centralizada e adaptação regional

No setor de varejo, a Prioridade 10, rede com 100 lojas no Sul do país e receita projetada de R$ 265 milhões para 2026, enfrenta a complexidade de abastecimento e gestão de estoque ao planejar a entrada na região Nordeste.

Para manter a competitividade de preços e a eficiência logística durante a expansão geográfica, a empresa manterá o modelo centralizado de compras pelo Portal do Franqueado e prevê a abertura de um Centro de Distribuição em São Paulo.

De acordo com o CEO Rogério Zorzetto, a entrada em novas regiões exige ajustes no mix de produtos conforme o clima e hábitos locais, mantendo-se a padronização das campanhas, layout das lojas e atendimento.