Abrir uma loja de sandálias em regiões conhecidas pelo frio intenso ainda gera desconfiança entre empreendedores. Mas a Sandaliaria, rede de franquias de sandálias multimarcas, vem desafiando esse paradigma ao consolidar sua presença no Sul do Brasil e mostrando, na prática, que o sucesso do varejo não depende apenas do clima, mas de estratégia.
Com 14 unidades distribuídas entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a rede avança apoiada em um modelo flexível, que adapta o mix de produtos conforme o perfil de consumo de cada região. Em cidades onde os termômetros podem ficar próximos ou até abaixo de 0°C, o desempenho das lojas tem surpreendido e servido de referência para novos investidores.
Santa Maria (RS): Frio intenso, aprendizado rápido e expansão como próximo passo
Em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, onde o inverno costuma ser rigoroso entre junho e agosto, as sócias Tatiana Vianna Costa, advogada, e Elizea Lima Boapace, agropecuarista, decidiram apostar em um modelo que, à primeira vista, parecia arriscado.
“Inicialmente, o frio era uma preocupação real. Mas quando entendemos que a Sandaliaria não trabalha apenas com chinelos, e sim com um portfólio amplo de calçados e acessórios, isso nos deu segurança para seguir”, afirma Tatiana que junto a sócia abriram a primeira unidade da Sandaliaria na região Sul.
Inaugurada em janeiro de 2024, a unidade passou por um primeiro ano marcado por aprendizado especialmente na definição do mix ideal para o público local. Com o tempo, a percepção do consumidor também evoluiu.
“O nome ainda remete muito ao verão, então parte do nosso trabalho é mostrar que temos produtos para o ano inteiro. Aos poucos, o público vai entendendo e ampliando o consumo dentro da loja”, explica a franqueada.
Mesmo com um fluxo de vendas mais estável ao longo do ano, com destaque para o mês de dezembro, a operação se mantém ativa também no inverno, graças à diversificação do portfólio. Produtos como Crocs lideram as vendas em todas as estações, seguidos por tênis, modelos fechados e itens com apelo térmico. “O Crocs é nosso carro-chefe o ano inteiro. No frio, ele ganha ainda mais força, principalmente com o uso de meias ou versões forradas”, destaca.
Outro ponto estratégico adotado pelas franqueadas está no atendimento e na ampliação de canais de venda. A unidade atende clientes via WhatsApp e Instagram, além de realizar envios para cidades vizinhas, aproveitando o fato de Santa Maria ser um polo regional, com forte presença universitária e militar.
O desempenho consistente motivou um novo passo: a abertura de uma segunda unidade em novembro do ano passado, em Capão da Canoa (RS), cidade litorânea em expansão. O investimento foi cerca de metade do valor aplicado na primeira loja.
“Acreditamos no potencial de novos públicos e regiões. Foi um movimento natural de crescimento”, afirma.
Curitiba (PR): faturamento robusto e desempenho acima das expectativas
Em Curitiba, capital conhecida pelo clima frio e instável, a aposta no modelo também enfrentou resistência inicial. Ainda assim, a franqueada Viviane Borba de Almeida decidiu seguir em frente com o plano de empreender. Com formação em Administração e especialização em marketing e vendas, ela inaugurou a unidade em outubro de 2025 com um objetivo claro: ter flexibilidade de rotina, conciliando a vida de mãe e empresária.
“Houve receio no início, principalmente pelo clima. Mas entendemos que a sandália é um item essencial, usado no dia a dia, inclusive dentro de casa”, afirma Viviane, que apostou na Sandaliaria devido a proposta diferente em oferecer várias marcas em um único lugar.
Os resultados vieram rapidamente. Nos primeiros meses, a loja registrou faturamento médio de R$ 60 mil mensal, alcançando R$ 200 mil no período de Natal. Assim como em Santa Maria, o mix de produtos foi determinante para o desempenho. Em Curitiba, cerca de 80% das vendas se concentram em itens versáteis, com destaque para Crocs, que mantém alta demanda durante o inverno.
“É um produto que funciona em qualquer estação. No frio, o cliente usa com meia, o que amplia ainda mais o consumo”, explica a franqueada que em breve passará pela experiência de vender os calçados no primeiro inverno da loja.
A adaptação do portfólio e o suporte da franqueadora também foram fundamentais, especialmente na definição de campanhas e estratégias de exposição de produtos ao longo dos últimos meses. “O consumidor curitibano é exigente, valoriza qualidade e originalidade. Ter um mix forte e bem posicionado faz toda a diferença”, completa.
Expansão no Sul e a estratégia por trás da “quebra de mito”
Para Rodrigo Deotto, fundador e CEO da Sandaliaria, o avanço da rede em regiões frias reforça um dos pilares do modelo de negócio que é a capacidade de adaptação.
“Esse é sempre o primeiro questionamento: como vender sandália no frio? Mas o chinelo é um produto universal. Além disso, nosso portfólio vai muito além disso, com tênis, botas, acessórios e marcas que atendem diferentes perfis de consumo”, afirma o empresário.
Segundo o executivo, itens como Crocs e Havaianas seguem como pilares da operação em todo o país, enquanto outros produtos ganham relevância de acordo com o clima e o comportamento regional. Outro diferencial está no suporte oferecido aos franqueados, com gestão dedicada e estratégias específicas para cada praça.
“Trabalhamos com uma operação que permite ajustes rápidos no mix e na comunicação. Isso garante que o franqueado consiga performar bem independentemente da localização”, explica.
Além disso, Deotto destaca que produtos de inverno tendem a ter ticket médio mais alto, o que pode contribuir positivamente para o faturamento das unidades em regiões frias.
Um modelo que vai além da estação
Deotto pontua que os cases de Santa Maria e Curitiba mostram que no franchising, o sucesso está menos atrelado à sazonalidade e mais à capacidade de leitura de mercado, adaptação e execução. Ao transformar um negócio tradicionalmente associado ao verão em uma operação perene, a Sandaliaria não apenas quebra um mito do varejo, mas também amplia as possibilidades para empreendedores em diferentes regiões do país.
“Mais do que o clima, o que determina o sucesso é o entendimento do negócio e do público. Quando isso acontece, as oportunidades aparecem”, conclui o CEO da Sandaliaria.






