Lojas de rua voltam ao radar das franquias impulsionadas pelo geomarketing

Tecnologia cruza dados de consumo, mobilidade, concorrência e perfil da população para orientar a abertura de novas unidades.

O setor de franchising brasileiro registrou faturamento de R$ 72,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma alta de 10,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Para dar suporte ao crescimento sustentável das redes, a seleção de pontos comerciais vem passando por uma migração metodológica: em vez de se basear apenas na disponibilidade do imóvel ou na intuição do empreendedor, as decisões passam a ser orientadas pelo geomarketing.

A ferramenta cruza inteligência de dados com indicadores como densidade populacional, perfil socioeconômico, poder de compra, hábitos de consumo, mobilidade urbana e mapeamento da concorrência local. Essa análise visa identificar regiões com maior demanda e menor risco para o investidor, impulsionando a eficiência operacional e a retomada das lojas de rua como canal de expansão.

Caso prático: inteligência de dados na expansão nacional
Um dos exemplos da aplicação de inteligência geográfica no processo de expansão é o da Ecoville, rede especializada em produtos de limpeza. A marca utiliza a avaliação prévia de indicadores territoriais para validar pontos comerciais antes da assinatura dos contratos e abertura das unidades.

“Mais do que encontrar um imóvel disponível, buscamos entender o potencial de cada região. A análise de dados nos permite tomar decisões mais seguras, reduzir riscos e direcionar a expansão para locais com maior capacidade de gerar resultados” — explica Cristiano Corrêa, CEO da Ecoville.

De acordo com o executivo, o uso do geomarketing auxiliou inicialmente na consolidação da marca na Região Sul e, em seguida, orientou o plano de expansão nacional. A estratégia apoiou a estruturação de uma rede que soma atualmente mais de 300 unidades distribuídas pelo Brasil.

“Quando adotamos o geomarketing, passamos a enxergar oportunidades que dificilmente seriam identificadas em análises convencionais. Crescer deixou de significar apenas abrir novas lojas e passou a significar abrir nos lugares certos. Expandir de forma sustentável exige planejamento. O geomarketing nos dá mais segurança para investir, reduz os riscos para o franqueado e fortalece nossa estratégia de expansão” — conclui o CEO da franqueadora.