RE/MAX bate recorde histórico com R$ 14,3 bilhões em vendas em 2025 e prevê um mercado mais aquecido em 2026

Mesmo com critérios mais rigorosos na concessão ao crédito, rede de imobiliárias cresce cerca de 14% no ano, supera R$ 640 milhões em comissões e chega a quase 10 mil corretores empreendedores no país

Fachada da franquia RE/MAX Prisma, na Zona Norte do Rio de Janeiro Foto: Fábio Reina

Em um dos cenários mais desafiadores das últimas décadas para o mercado imobiliário, marcado por taxa Selic em 15% ao ano, juro real próximo de 11% e retração de 17% no crédito via poupança (SBPE), a RE/MAX Brasil encerrou 2025 com o melhor desempenho de sua história. A maior rede de franquias imobiliárias do país movimentou R$ 14,3 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) e alcançou R$ 643,8 milhões em Valor Geral de Comissões (VGC), crescimento de aproximadamente 14% em relação a 2024.

O resultado da RE/MAX ganha ainda mais relevância frente ao desempenho do setor imobiliário em 2025. Em um ambiente de juros elevados, o PIB da construção civil avançou cerca de 1,8%, enquanto o mercado residencial operou com queda nos lançamentos e desaceleração nas vendas, segundo dados do Secovi-SP e da CBIC, refletindo o impacto do crédito mais caro e do aumento dos custos de produção.

Com juros altos, o mercado não aceita mais amadorismo. O dinheiro está mais caro, mas não desapareceu; ele apenas exige preparo, processos e inteligência para ser capturado”, afirma Peixoto Accyoli, CEO e presidente da RE/MAX Brasil. “Batemos um recorde histórico porque apostamos em padronização, gestão de dados, qualificação da força de vendas e consistência na experiência do cliente. Crescemos 14,2% em VGV e ainda aumentamos a eficiência média por franquia em 14%.”

Segundo o executivo, o imóvel voltou a cumprir um papel central de proteção patrimonial em um ambiente de incertezas econômicas. Em 2025, os preços dos imóveis registraram valorização média de 6,52%, acima da inflação oficial do período.

Mesmo com o avanço do Minha Casa Minha Vida, foi o mercado secundário (imóveis usados) de médio e alto padrão que sustentou o desempenho da rede, refletindo uma classe média ativa e menos dependente de subsídios governamentais.

O que vimos não foi falta de demanda, mas uma mudança clara de perfil. Saiu o investidor de curto prazo e permaneceu a família que precisava mudar de imóvel, com maior capacidade de entrada para amortecer os juros”, explica Accyoli.

Cliente mais exigente

O perfil do cliente também mudou. Mais informado, analítico e exigente, ele demanda soluções completas. Em 2025, 29% das vendas da RE/MAX vieram de parcerias externas e 6% de parcerias entre franqueados, evidenciando o peso do networking estruturado.

A tecnologia foi outro diferencial competitivo. O uso de inteligência artificial na análise de crédito, com aprovação quase em tempo real por parte dos bancos, reduziu a burocracia e acelerou fechamentos. Internamente, a RE/MAX intensificou o uso de análise de dados de performance, como o indicador Same Store Sales, que cresceu 14,08%.

“A tecnologia bancária acelera o crédito, e a nossa inteligência de dados garante que o imóvel certo chegue ao cliente certo, no tempo certo”, explica Accyoli.

O gargalo nos lançamentos imobiliários, provocado pelo aumento dos custos de construção (INCC) e pela escassez de mão de obra, acabou beneficiando os imóveis prontos, principal foco da rede. Em 2025, a RE/MAX realizou mais de 45 mil transações imobiliárias e locações, reforçando a liquidez do mercado secundário.

A capilaridade da rede foi decisiva para o resultado. O estado de São Paulo liderou o ranking de desempenho, com R$ 292 milhões em comissões, seguido por Rio Grande do Sul (R$ 53,7 milhões), Rio de Janeiro (R$ 39,5 milhões), Distrito Federal (R$ 35,1 milhões) e Paraná (R$ 34,2 milhões).

Em 2025, a RE/MAX alcançou 606 unidades em operação, presença em cerca de 1.100 municípios brasileiros e uma base de 9.912 corretores empreendedores, aproximando-se da marca de 10 mil profissionais no país. O tempo médio de venda foi de 118 dias, muito abaixo da média nacional de 480 dias, segundo a consultoria ABRAINC.

A dificuldade de acesso ao crédito também impulsionou fortemente o mercado de locação. Em 2025, o aluguel residencial subiu 8,85%, mais que o dobro da inflação, segundo o índice IVAR-FGV.

Na RE/MAX, o movimento se refletiu em mais de 30,5 mil transações de locação ao longo do ano. “Não foi apenas aluguel por necessidade. Muitos clientes venderam seus imóveis para capitalizar com os juros elevados e passaram a alugar de forma estratégica”, destaca o Accyoli

Otimismo para 2026

Para 2026, a RE/MAX projeta aceleração do mercado, sustentada pela expectativa de queda da Selic para 12,25%, crescimento do PIB em torno de 1,8% e mudanças relevantes nas regras de financiamento imobiliário.

O aumento do teto do SFH (Sistema Financeiro de Habitação) de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões deve ser um divisor de águas, ao permitir que imóveis de maior valor tenham acesso a juros mais baixos”, afirma Accyoli. “Em um ano eleitoral e de volatilidade, o imóvel tende a se consolidar novamente como porto seguro para investidores conservadores.”

Segundo o executivo, o principal desafio do setor seguirá sendo ter pessoas qualificadas na ponta. “Crédito ajuda, mas não garante a venda. O crescimento sustentável continua sendo puxado por profissionais bem preparados, dados e gestão eficiente.”