Capital de giro e desempenho operacional

Publicado em 18/11/2016 por Luiz Marcondes

Você está entrando no universo das franquias agora? Este artigo vai ajudá-lo a entender a importância do capital de giro

Você sabia que a ausência de capital de giro é uma das principais razões de fracasso de franquias em seu primeiro ano de vida? Bem, antes de mais nada, que tal compreender que capital é esse, como consegui-lo e como utilizá-lo? O Mapa das Franquias conversou com Roberto Kanter, Consultor da GC-5 Soluções Corporativas e Professor da FGV para entender o assunto. Confira a seguir.


Mapa das Franquias:  Para quem está chegando agora ao mundo das franquias: o que é o capital de giro e qual sua importância?


Roberto Kanter: Capital de giro é o dinheiro necessário para fazer com que o negócio continue funcionando. O capital de giro está diretamente ligado aos Custos Fixos (total de despesas contratadas pela empresa que não variam com o tempo). Um exemplo clássico de custo fixo são os alugueis, condomínios, salários e impostos sobre salários. O que não está contabilizado nos custos fixos são os chamados custos variáveis (total de despesas que a empresa somente gasta caso tiver receitas, no caso de comissões de venda e impostos vinculados, tais como Super Simples). Outro custo variável importante são as compras de produtos, no caso do varejo, ou de matérias primas, no caso de indústria. O capital de giro é essencial para o sucesso de qualquer negócio, pois sua ausência compromete o desempenho operacional e o resultado financeiro da empresa.


Mapa das Franquias:  É sabido que algumas marcas não divulgam o valor desse capital de giro. É possível calculá-lo? Como?


Roberto Kanter: Uma maneira de calcular o capital de giro necessário é somar os custos fixos e acrescer os custos variáveis de acordo com uma previsão de vendas para os próximos 3 a 6 meses. Com a construção do cenário, podemos calcular o quanto de impostos e comissões serão pagas e o quanto de mercadorias será necessário para oferecer uma cobertura de estoque eficiente. Assim, juntando o custo fixo mensal, as comissões e impostos mensais mais o quanto teremos de comprar de mercadoria mensalmente, calcula-se a necessidade de caixa mensal da empresa. Em média, multiplica-se esse valor por 3 para chegar a um número ideal. Isto significa dizer que a empresa deverá ter em caixa (dinheiro + aplicação) três vezes o total de capital necessário para funcionar. Diria que empresas com menos de 1 vez o capital de giro são extremamente frágeis financeiramente pois dependem obrigatoriamente de vendas para pagar as contas e as que tem 3 vezes podem planejar suas ações de forma mais estruturada. Dependendo do negócio, comida, por exemplo, 2 vezes é suficiente, já que o negócio envolve um giro muito rápido dos produtos e entradas diárias de dinheiro no caixa.


Mapa das Franquias:  As franquias podem exigir que o novo franqueado comprove possuir o valor do capital de giro para um determinado período?


Roberto Kanter: Pode e deve. A ausência de capital de giro é uma das principais razões de fracasso de franquias dentro do primeiro ano de vida.


Mapa das Franquias:  Caso não tenha capital de giro, vale a pena recorrer ao banco? Quais os riscos de um empréstimo?


Roberto Kanter: Enquanto as taxas de juros estiverem no patamar atual, recorrer ao banco é uma decisão que certamente irá corroer a rentabilidade do negócio. Isso á aceitável em negócios maduros e que estão sofrendo com o atual momento econômico. Imaginar um franqueado novo recorrendo à empréstimos logo após ter montado sua franquia é um indicador de falha de gestão por ambos os interessados, franqueadores e empreendedores.


É melhor ser conservador


Mapa das Franquias:  Ao avaliar uma rede de franquia para ingressar, devo considerar um maior ou menor capital de giro como um dos critérios para escolha? Ou é melhor sempre focar nos resultados possíveis, independentemente desse fator? 


Roberto Kanter: Os primeiros critérios não racionais deverão sempre ser a afinidade pelo negócio escolhido e a empatia com o franqueador. Uma vez escolhido a categoria de negócio, não por uma questão de moda, mas por admirar e desejar trabalhar com o assunto, o montante disponível para aplicar no negócio é a primeira decisão racional a ser tomada. Antes mesmo de analisar os números da franquia.


Aconselho utilizar a seguinte metodologia: Total de capital financeiro a investir e dividir pela metade de forma conservadora ou separar pelo menos 30% para as necessidades pessoais do investidor. Da metade que sobra investir 60% a 70% no negócio e deixar 40% a 30% para capital de giro.


Exemplificando, se alguém tem R$ 300.000 a investir, deve separar entre 100.000 e 150.000 como capital necessário para os sócios viverem, sem tirar durante 24 meses, dinheiro da empresa. Dos 200.000 ou 150.000 que sobraram para investir, 140.0000 e 100.000 respectivamente podem ser usados no negócio em si, investindo em taxa de franquias, estoque e instalações físicas.


Esse é o grande segredo do sucesso. Quem tem 300.000 e investe integralmente no negócio, tem sua posição financeira extremamente fragilizada pois irá depender de resultados imediatos para sobreviver.


É melhor ser conservador que quebrar em menos de um ano. A dica serve para franqueadores e franqueados.


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Palavras-chaves: Empreender, Franquias, Dicas para investir em franquias, Gestão de franquias