O apetite do brasileiro pela culinária asiática está longe de ser uma novidade, mas os números comprovam que essa paixão se transformou em uma das mais sólidas oportunidades de negócio no país, especialmente no segmento de delivery. Somente no iFood, o setor de comida asiática arrecadou impressionantes R$2 bilhões em vendas com delivery em 2025, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).
Esse crescimento vigoroso é reflexo de uma transformação profunda nos hábitos de consumo e na própria estrutura do setor de alimentação fora do lar. E, ao contrário do que muitos pensam, o modelo de negócio ideal não se resume a operar delivery de comida asiática ou contar com um bom sushiman. O diferencial está na gestão eficiente e na capacidade de escalar o negócio por meio de uma franquia bem estruturada, capaz de capturar essa demanda com escala e padronização.
Para o investidor atento, o momento atual configura um cenário fértil, mas que exige estratégia e precisão na escolha do ponto e do modelo de negócio.
A Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF) revelou que o segmento de Food Service, incluindo a culinária oriental, alcançou faturamento de R$10,5 bilhões no segundo trimestre de 2025, um crescimento de 14,2% em relação ao ano anterior. Esse vigor, no entanto, não se distribui de forma homogênea. O movimento observado em 2026 aponta para uma descentralização, com o consumo se deslocando para bairros residenciais e cidades médias de alta densidade populacional e poder de consumo concentrado.
O potencial de investimento não se mede apenas pela renda per capita, mas por um tripé que combina poder de consumo, densidade populacional e infraestrutura logística. “Regiões de média e alta renda em cidades médias do interior paulista, mineiro e catarinense apresentam equilíbrio quase perfeito: habitantes com alto poder aquisitivo, concentração demográfica que justifica a operação e um trânsito que não impõe as barreiras logísticas dos grandes centros, permitindo entregas mais rápidas e eficientes”, comenta Amauri Sales, CEO e cofundador do Home Sushi Home, rede brasileira de delivery de culinária asiática.
A lógica de expansão, portanto, deve mirar na demanda reprimida. Enquanto os bairros nobres das capitais já estão saturados de opções, cidades com mais de 100 mil habitantes no interior de estados como Santa Catarina, Paraná, Goiás e São Paulo despontam como alvos prioritários. “A estratégia é levar um modelo profissionalizado, com qualidade consistente e operação de delivery eficiente, para regiões onde o consumidor ainda depende de opções escassas ou serviços pouco desenvolvidos”, sugere Sales.
Essa expansão para novas fronteiras foi viabilizada principalmente pelo modelo de dark kitchens. Cozinhas exclusivas para delivery eliminam os altos custos de um salão comercial, reduzem o investimento em ponto físico e permitem instalar o negócio em zonas de alta densidade populacional sem o ônus de um aluguel de frente de rua. “O futuro da expansão em food service passa, inevitavelmente, pela eficiência operacional. As dark kitchens permitem chegar a bairros e cidades com alta demanda sem comprometer a rentabilidade com estruturas superdimensionadas. É a união entre capilaridade e controle de custos”, sugere o CEO, após recentemente ter adaptado a estrutura operacional, com uma consultoria especializada em processos e produção, como estratégia de redução de investimento inicial e o quantitativo de mão de obra.
Nesse contexto, contar com uma franqueadora que ofereça direcionais claros aos franqueados é o ponto central para o sucesso nos negócios, principalmente para investidores de primeira viagem. Diretrizes bem definidas sobre operação, logística, padronização e expansão garantem um negócio estruturado. Ter uma retaguarda sólida permite ao franqueado tomar decisões com segurança, replicar o modelo com eficiência e manter a qualidade que fideliza o cliente, dominando o mercado local com consistência e escala.
A consolidação do delivery como principal motor de vendas também reposiciona a importância da logística, visto que não basta ter um ótimo produto se ele chega desmanchado ou atrasado. A proximidade de centros de distribuição de alimentos, a qualidade das vias de acesso e a disponibilidade de mão de obra para entregadores são fatores que podem determinar o sucesso ou o fracasso da operação. “Quando olhamos para uma nova cidade, não enxergamos apenas o número de habitantes, mas sim o ‘raio do delivery’. Mapeamos quantas pessoas estão a até 15 ou 20 minutos da nossa cozinha. É esse raio que define o mercado endereçável e a capacidade de atendermos com a qualidade que o cliente espera”, explica Amauri Sales.
Para o investidor que busca embarcar nesse setor bilionário, o momento é de expansão clara, principalmente nas cidades médias e bairros residenciais de alto poder aquisitivo das periferias metropolitanas, locais onde a demanda por conveniência e qualidade encontra um ambiente de concorrência ainda em formação.






