Segmento de Casa e Construção cresce mais de 10% no franchising e puxa nova geração de construtoras

Dados da ABF mostram expansão acima da média do setor; iBUILD projeta 100 unidades e R$150 milhões em faturamento até o fim de 2026

O mercado brasileiro de franquias fechou 2025 com faturamento superior a R$300 bilhões e crescimento de 10,5%, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Entre os segmentos que mais avançaram está Casa e Construção, com expansão acima de 10% no período, reflexo de uma demanda crescente por modelos mais organizados, previsíveis e replicáveis dentro de um setor historicamente marcado pela informalidade.

É nesse contexto que a iBUILD, construtora especializada em construção industrializada com steel frame, estruturou sua estratégia de expansão nacional via franquias. Para Diego Vaz, fundador e CEO da empresa, o franchising responde a um problema concreto do setor.

A construção civil sempre teve dificuldade de escalar mantendo previsibilidade. O modelo de franquias permite criar processos mais organizados, replicáveis e acompanhados por tecnologia, reduzindo muito a dependência de operações artesanais”, afirma o executivo.

A pressão por produtividade ajuda a explicar o movimento. Segundo o Estudo BDO Construção Civil 2025, 90% das empresas do setor enfrentam dificuldades com a força de trabalho, e 65% apontam a escassez de mão de obra qualificada como o maior obstáculo ao aumento da produtividade, superando até mesmo processos ineficientes. O dado é especialmente revelador porque ocorre em meio ao crescimento: 70% das empresas cresceram em 2024, com quase 60% registrando aumento de receita superior a 15%.

O problema tem raízes estruturais. Economistas apontam que a escassez no setor não está ligada apenas ao mercado aquecido, mas também a uma mudança nas relações de trabalho: uma geração mais escolarizada não quer trabalhar braçalmente, o que pressiona a oferta de profissionais de campo de forma persistente. Dados da Sondagem da Construção do FGV IBRE mostram que quase 40% das empresas apontam a falta de mão de obra especializada como fator que limita seus negócios, percentual bem acima dos 25% observados dois anos atrás.

O custo do trabalho já se reflete nos índices do setor. O Índice Nacional de Custo da Construção acumula alta de 6,78% em 12 meses até setembro de 2025, puxado principalmente pelo grupo mão de obra, que respondeu por 4,06 pontos percentuais do total. Entre profissionais técnicos, como bombeiros, eletricistas e pedreiros, as elevações médias chegaram a 10,04%.

Diante desse cenário, o uso de ferramentas de inteligência artificial no setor mais que dobrou, saltando de 15% em 2023 para 38% em 2025, numa estratégia que se intensifica em meio ao clima de cautela e à necessidade de eficiência. No plano internacional, a construção modular já reduziu a necessidade de mão de obra em 30% e diminuiu atrasos em 20% em mercados como os Estados Unidos, referência para o que o Brasil busca replicar.

É nesse ambiente que o franchising ganha relevância como modelo de expansão para construtoras que operam com lógica industrial. Ao padronizar processos e replicar métodos por meio de uma rede estruturada, empresas conseguem crescer sem ampliar na mesma proporção a dependência de mão de obra especializada, um dos principais gargalos do setor.

A iBUILD foi estruturada justamente com essa lógica. Fundada em 2016, iniciou suas operações no modelo chave na mão e passou a crescer por meio de franquias em 2022. Hoje, a rede conta com mais de 30 unidades e presença em mais de 150 cidades brasileiras, distribuídas em 11 estados.

O modelo tem uma característica que o diferencia da maioria das redes: a franqueadora acompanha ativamente cada etapa das obras executadas pelos franqueados, que não avançam para a próxima fase sem aval central. Na prática, o cliente contrata uma construtora local e recebe junto uma camada de gestão e controle de qualidade operada pela franqueadora.

Outro ponto de diferenciação está no perfil de franqueado buscado pela rede. A empresa não busca engenheiros nem profissionais com experiência na construção civil, mas empreendedores com foco em processo, captação de clientes e gestão. O método construtivo industrializado, que substitui trabalhadores especializados por montadores treinados, é o que torna essa equação possível.

A meta da empresa é alcançar 100 franquias ativas e faturar R$150 milhões até o fim de 2026. “O mercado começa a perceber que construir não precisa ser um processo imprevisível. Quando você combina industrialização, tecnologia e um modelo de gestão padronizado, consegue entregar mais eficiência, escala e segurança operacional”, diz Vaz.