Nem tudo que reluz é ouro!

Publicado em 08/10/2015 por Luiz Marcondes

Vai ingressar numa rede de franquias? Cuidado com falsas promessas e atenção ao contrato

Imagine que você decidiu que é hora de ser seu próprio patrão, tocar seu próprio negócio. Ou talvez não tenha decidido, decidiram pra você: uma demissão justificada pela crise o leva a se reinventar e buscar uma nova carreira. Não importa o motivo, uma dúvida surgirá: o que fazer? É claro que franquias são sempre uma saída, mas qual? São mais de 2000 marcas no Brasil, o que é o bastante para deixar qualquer um perdido em meio a tantas opções.


Calma. Antes de mais nada, vale a pena refletir para avaliar se você tem o perfil adequado para se tornar um franqueado. Está preparado para ser autodisciplinado e automotivado? E para seguir padrões rígidos e prestar contas à franqueadora? Esses são os primeiros passos. Na busca pela franquia ideal, lembre-se também do ditado do tempo da vovó: “Nem tudo que reluz é ouro”. Ou, como dizem os mais pragmáticos: “se parece bom demais pra ser verdade, é porque não é verdade”. Cheque cada proposta, faça cálculos, converse com quem já está no negócio e veja se “a conta fecha”. Só depois toma sua decisão.


Confira a seguir algumas precauções simples que vão ajudá-lo a evitar ciladas e falsas perspectivas de sucesso rápido.


1. Cuidado com as feiras
Jamais fecha negócio dentro de uma feira de franquia, onde o ambiente quase “festivo” e cheio de promessas não é propício a análises financeiras ponderas de médio e curto prazo. Por lei o futuro franqueado precisa de pelo menos dez dias para analisar a documentação da franquia e tomar sua decisão. Esse período pode chegar a 90 dias. É preciso ter tempo para ler a documentação com calma, algo impossível de se fazer no ambiente barulhento de uma feira.


Então, mesmo diante do famoso “negócio da China”, não feche nada nesse momento. Nem verbalmente.


2. Muita calma nessa hora!
Seja o dinheiro da rescisão, seja sua poupança, você demorou e batalhou para juntar seu dinheiro, por isso, pense bem antes de investi-lo, por melhor que o retorno financeiro possa parecer na franquia que você deseja. Lembre-se: assim como você suou para chegar até aqui, o dia a dia de uma franquia também é feito de muito suor e não de ganhos mágicos. Antes de entrar de cabeça, convém se perguntar: eu realmente me identifico com o negócio?


3. Estude atentamente a COF
A COF é a Circular de Oferta de Franquias documento que resume os dados relativos à franquia incluindo taxas, prazo de contrato e território de atuação, por exemplo. Ali estão informações sobre taxa de franquia e de royalties, que podem variar até dentro um mesmo segmento.


Fique atento também ao prazo de duração do contrato, que determina por quanto tempo você poderá usar a marca. O tempo mínimo de contrato costuma ser de 5 anos, sendo que desses, de 2 a 3 são período de investimento e o restante é lucro. Isso em linhas gerais. Estude a COF que tem em mãos, pois ela é única.


4. Converse com que é (ou já foi) franqueado
Você sabia que a lei de franquia exige que na circular conste a relação dos franqueados com seus respectivos contatos? E não só: também devem constar todos os que se desligaram da rede nos últimos 12 meses. Use esse contatos a seu favor. Especialistas recomendam que você converse com pelo menos três franqueados ativos e três que se desligaram. É importante para que você possa ter depoimentos verdadeiros sobre a reação do público ao negócio e sobre como é a relação com a franqueadora.


Mas atenção: ao iniciar essas conversas, cuidado para não focar em faturamento, uma pergunta que pode causar desconforto ou insegurança na resposta. Acima de tudo, busque saber sutilmente se tudo que foi prometido está mesmo se realizando na prática, se há suporte adequado e se o franqueado está satisfeito com o negócio a ponto de abrir outra unidade, por exemplo.


5. Sob medida... Ou quase
Será que todas as franquias são iguais? Não. Só em alguns aspectos, como cobrança de taxas e contrato. É claro que há muitas diferenças. E é possível conseguir um certo grau de flexibilidade através de negociação de contratos. É uma forma de se adaptar à realidade sem descaracterizar a franquia. Um processo delicado, mas que pode valer a pena. Busque o diálogo e o meio termo e você pode se surpreender.


6. Você sabe o que é “cláusula de não concorrência”?
Essa cláusula, presente na maioria dos contratos de franquias, impede que o franqueado abra outro negócio na mesma área de atuação da rede. Esse impedimento costuma se estender após o fim do contrato de franquia.


Tenha em mente quais os negócios concorrentes para a marca. Se você já tinha outro empreendimento, cuidado com os conflitos de interesses.


7. E se eu desistir?
Sim, pode acontecer, não há problema algum em mudar de ideia, mas, assim como você pensou bem antes de entrar, pense bem antes de sair. Verifique se há multa e quais as penalidades. Esteja atento à cláusula que fala das condições em que ocorre a rescisão automática.


A desistência após a assinatura do pré-contrato faz com que você perca a taxa inicial e gera transtorno e prejuízo para a franqueadora, que a essa altura já terá reservado um território para um novo franqueado.


A dica é ser responsável, não só com seu investimento, mas com o deles também. Tenha isos em mente e boa sorte. E bons negócios!


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Palavras-chaves: Investir em franquias, Empreender, Franquias