Faturamento do setor de serviços paulistano encolhe R$ 5 bilhões no primeiro semestre do ano

Publicado em 09/09/2016 por Imprensa

Segundo pesquisa da Entidade, queda de 3% em junho - na comparação com o mesmo mês do ano anterior - foi a 14ª consecutiva

O crescente desemprego, a inflação alta e as indefinições políticas ajudaram a rebaixar o faturamento real do setor de serviços da cidade de São Paulo no primeiro semestre de 2016. Em junho, o faturamento real do setor atingiu R$ 21,3 bilhões, recuo de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, a 14ª queda consecutiva nessa base de comparação. O valor é R$ 658,5 milhões inferior ao registrado em junho de 2015. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, houve recuo de 3,7% nas receitas, o que representa uma redução de R$ 5 bilhões em comparação ao registrado no mesmo período do ano passado.


Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), que traz o primeiro indicador mensal de serviços em âmbito municipal, elaborado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base nos dados de arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) do município de São Paulo, fornecidos pela Secretaria Municipal de Finanças e Desenvolvimento Econômico. O município de São Paulo tem grande relevância nos resultados estaduais e nacionais do setor de serviços, representando aproximadamente 20% da receita total gerada no País.


Das 13 atividades que compõem a pesquisa, dez apresentaram queda de receita em junho no comparativo com o mesmo período de 2015. As maiores retrações foram vistas nas atividades de construção civil (-35,1%); técnico-científico (-16,8%); mercadologia e comunicação (-12,4%); representação (-11,8%); e outros serviços (-10,2%). Juntos, todos esses itens colaboraram para uma redução do índice geral em 3,3 pontos porcentuais.


Em contrapartida, os resultados positivos mais expressivos foram registrados pelas atividades de saúde (23,9%) e turismo, hospedagem, eventos e assemelhados (10%), que no seu conjunto pressionaram positivamente o índice geral com 2,1 pontos porcentuais. Segundo a FecomercioSP, a alta do faturamento real da saúde pode ser justificada pela pressão de custos em decorrência da inflação e dólar ainda elevados. Como grande parte dos serviços deste item depende de matéria-prima importada, o aumento de custo acaba sendo repassado para o valor final. Além disso, por se tratar de uma atividade essencial para as famílias, considerando a restrição orçamentária imposta pela inflação e pelo desemprego, o padrão de consumo vem sendo alterado. Na ausência de seguro-saúde, a busca por serviços particulares aumenta, elevando seu preço. No ano, o segmento registra um crescimento de 20,4% no faturamento real.


Já o desempenho positivo do turismo reflete, segundo a Entidade, o dinamismo da atividade em se adaptar às mudanças no cenário econômico e político, considerando que a cidade é reconhecida pelo seu turismo de negócios e eventos. No acumulado do ano a atividade registra alta de 8,1% no faturamento real, representando, em termos monetários, um acréscimo de R$ 287,7 milhões em relação ao mesmo período de 2015.


Expectativa
A Federação afirma que, apesar dos indicadores da atividade econômica ainda serem negativos, a confiança das famílias e dos empresários vêm se recuperando nos últimos três meses na esperança de que o quadro político fosse resolvido. A sinalização de que reformas mais profundas ocorrerão posteriormente também gerou um sentimento de otimismo entre os agentes. A FecomercioSP ressalta que os indicadores de confiança são antecedentes de comportamento dos agentes econômicos: funcionaram na antecipação da crise, e indicam que 2017 será um ano melhor.


Em agosto, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do município de São Paulo registrou uma alta de 18,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Tal crescimento se deu pela forte recuperação no Índice de Expectativas do Consumidor, que cresceu 28,3% no comparativo interanual. No mesmo sentido, o Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (ICEC) registrou alta de 9,8% em julho no comparativo com o mesmo mês do ano passado, após atingir 29 meses de queda. De acordo com a Entidade, é evidente que os piores momentos estão sendo deixados para trás e o Brasil pode, de fato, vivenciar um período de retomada no final do segundo semestre e início do próximo ano.


Ainda não há elementos suficientes para identificar quando o setor de serviços irá se recuperar, uma vez que as atividades que compõem o indicador foram fortemente impactadas pelas crises econômica e política que se instalaram no País. A expectativa da FecomercioSP é de que o ano se encerre com um faturamento real negativo em torno de 3,5%, ligeiramente maior do que o registrado no ano passado (-2,8%).


Nota metodológica
A Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS) é o primeiro indicador mensal de serviços em âmbito municipal e utiliza informações baseadas nos dados de arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) do município de São Paulo, por meio de um convênio de cooperação técnica firmado entre a Prefeitura de São Paulo e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O indicador conta com uma série histórica desde 2010, permitindo o acompanhamento do setor em uma trajetória de longo prazo.


As atividades foram reunidas em 13 grupos, levando em conta as suas similaridades e a representação no total do que é arrecadado do ISS no município. Por meio dos relatórios gerados, é possível identificar o total do faturamento (real e nominal) por atividade, as variações porcentuais em relação ao mesmo mês do ano anterior (T-T/12) e mês imediatamente anterior (T-T/1) e o acumulado no ano.


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Palavras-chaves: Franquias de serviços , Franquias , Crise Econômica , Pesquisas , Economia e Mercado