Custo de vida na região metropolitana de São Paulo sobe 0,36% em setembro, aponta FecomercioSP

Publicado em 10/11/2017 por Imprensa

A maior alta do mês foi originária da atividade de Transportes (1,60%), que compromete, em média, pouco mais de 21% do orçamento familiar

Os preços dos produtos e serviços na região metropolitana de São Paulo (RMSP) subiram 0,36% em setembro, ante a variação de 0,39% registrada em agosto. Com esse desempenho, o indicador acumulou alta de 2,09% nos nove meses de 2017, um porcentual bastante abaixo dos 5,39% apurados no mesmo período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador subiu 3,25%, sendo que em setembro de 2016, a alta era de 8,57% - entre outubro de 2015 e setembro de 2016. Os dados são da pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

 Entre os nove grupos analisados, somente dois apontaram variação negativa de preços no período: Alimentação e bebidas (-0,07%) e Habitação (-0,59%). Ainda que a dispersão de queda entre os grupos tenha diminuído nos últimos três meses, vale ressaltar que as duas categorias que registraram queda nos preços em setembro comprometem, somadas, cerca de 40% do orçamento familiar.

 O segmento de Transportes apresentou a principal contribuição de alta para o medidor do custo de vida em setembro na RMSP, encerrando o mês com elevação de 1,6%, com representatividade de pouco mais de 21% da ponderação do CVCS. O setor de Despesas pessoais exibiu aumento de 0,82%, e os preços de Vestuário cresceram 0,73% em relação ao mês anterior.

 As classes E e D foram as que mais sentiram os aumentos nos preços em agosto, com altas de 0,40% e 0,41%, respectivamente, em seus custos de vida. Já as classes A e B foram menos impactadas pela alta dos preços e encerraram o mês com variações positivas de 0,17% e 0,32%, respectivamente.

 IPV

O Índice de Preços no Varejo (IPV) registrou alta de 0,28% em setembro ante o avanço de 0,59% observado no mês anterior. No acumulado dos nove meses deste ano, o indicador registrou variação média de 0,05% muito inferior à notada no mesmo período do ano anterior, que atingia 0,65%. No acumulado dos últimos 12 meses, verificou-se alta de 0,82%. O IPV é composto por oito grupos, e, em setembro, dois apresentaram recuo em seus preços médios: Alimentação e bebidas (-0,33%) e Saúde e cuidados pessoais (-0,47%).

 Novamente, o grupo Transportes (0,75%) foi o principal responsável pela alta do medidor dos preços dos produtos no varejo. Em 2017, o grupo acumulou alta real de preços de 0,73%, e nos últimos 12 meses, atingiu alta de 3,19%. Os produtos que integram o subgrupo veículo próprio apontaram queda de 0,55%, enquanto os preços do subgrupo combustíveis registraram aumento de 1,91%, com destaque para os seguintes itens: óleo diesel (3,01%), gasolina (2,39%) e etanol (1,03%). Parte significativa do aumento nos combustíveis se deu em razão de um reajuste feito pela Petrobras, impactado pelo cenário externo, com o fechamento de refinarias norte-americanas, em decorrência de recentes furacões nos EUA.

 Ainda de acordo com a pesquisa da Entidade, a segunda maior pressão de alta de preços no varejo foi da atividade de Vestuário (0,73%), que havia registrado alta de 0,49% em agosto. Com a chegada da primavera e a entrada da nova coleção nas lojas, é natural que esse movimento nos preços do segmento que acumule alta de 3,34% no ano e 3,38% nos últimos 12 meses.

 IPS

O Índice de Preços de Serviços (IPS) assinalou aumento, passando de uma alta de 0,18% em agosto para 0,46% em setembro. O indicador acumulou altas de 5,88% nos últimos 12 meses e de 3,83% de janeiro a agosto de 2017.

 A alta foi causada pelo aumento nos preços dos segmentos de Transportes (3,11%), Saúde e cuidados pessoais (0,81%) e Alimentação e bebidas (0,32%). Em setembro, somente o setor de Habitação assinalou queda em seus preços: -1%.

 Segundo a FecomercioSP, o custo de vida ainda oscila em patamares muito mais moderados do que nos anos anteriores, e apenas isso já garante uma restrição orçamentária muito menor para as famílias brasileiras. Para os especialistas da Federação, a desaceleração dos preços observada não é fruto de uma demanda fraca, especialmente porque as baixas mais relevantes de preços são em produtos que possuem alta relevância na cesta de compras das famílias, como a alimentação.

 Metodologia

O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV 181 produtos de consumo.

 As faixas de renda variam de acordo com os ganhos familiares: até R$ 976,58 (E); de R$ 976,59 a R$ 1.464,87 (D); de R$ 1.464,88 a R$ 7.324,33 (C); de R$ 7.324,34 a R$ 12.207,23 (B); e acima de R$ 12.207,24 (A). Esses valores foram atualizados pelo IPCA de janeiro de 2012. Para cada uma das cinco faixas de renda acompanhadas, os indicadores de preços resultam da soma das variações de preço de cada item, ponderadas de acordo com a participação desses produtos e serviços sobre o orçamento familiar.

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Palavras-chaves: Crise Econômica, Economia e Mercado